A Gaivota Farragulha

    domingo, novembro 30, 2008

    Il Buffone

    É caso para dizer: No Coment.

    sexta-feira, novembro 28, 2008

    Toma!

    Vi este video no site do Publico e achei hilariante. Acho demais a forma meia desfarçada como ela entorna o copo...e ele também não perde tempo em responder. Isto passou-se na Roménia. Vai daí tive a ideia de publicar aqui no blog as imagens mais engraçadas da política. Portanto, mais virao.

    segunda-feira, novembro 17, 2008

    Bem-vindos ao Inferno!

    Reportagem da viagem de hoje ao campo de refugiados:

    No caminho, o deserto, o Oceano Indico e a nossa escolta militar...
    Chegada ao inferno.
    Novos blocos, ainda por habitar.

    Area dos recém-chegados.





    Pós altercamento. Não dá para ver na fotografia mas há um homem deitado no chão. Quando nós chegamos, ele estava no portão (assim como muitos outros) a tentar entrar no complexo para se queixar de um mal de saúde. Aparentemente, depois do nosso jipe ter entrado, houve uma discussão entre os polícias e a multidão e este homem acabou por ser socado, incitando uma luta entre todos que tive oportunidade de assistir deste lado das sebes e grades. No momento aqui retratado, os oficiais do campo começaram a perceber que algo estava mesmo mal com este homem pois ele não se levantava. Acabaram por chamar uma ambulância para leva-lo ao hospital. O resto já não sei...

    quarta-feira, outubro 29, 2008

    As eleições por um binóculo


    A cinco dias das eleições americanas, parece quase certo que Barack Obama será o vencedor. Felizmente, tenho televisao em casa porque de outra forma não teria forma de acompanhar a recta final destas alucinantes eleições. Lembro-me da primeira vez que ouvi de Barack Obama, estava a começar o meu mestrado na LSE: li um artigo no The Guardian sobre um jovem senador com grandes aspirações políticas. Na altura, fiquei imediatamente captivado pelo seu perfil pessoal, pela sua carreira como activista social e político mas sobretudo pela sua posição em relação à Guerra do Iraque. Tal era a importância da questão para mim, que ainda antes de ouvir qualquer um dos seus brilhantes discursos, ainda antes de ele anunciar a sua candidatura, escolhi Barack Obama como o meu candidato. Desde aí, segui com interesse cada um dos seus passos, visitei a sua página no 'Facebook' para ler updates, e cheguei mesmo ao ponto de (quem passou por minha casa em Londres nesse ano, porventura lembrar-se-á) colar uma fotografia sua na parede do corredor - era o início do Obama 'superstar'.



    Mais tarde, já depois de Hillary e Obama anunciarem publicamente as suas candidaturas, tive oportunidade de expor a minha convicção a uma figura da politica portuguesa, tendo recebido em troca apenas a condescendência pelo meu 'idealismo e ingenuidade.' A vitória era de Clinton, dizia-se. Finalmente, na noite de 3 de Janeiro de 2008 assisti em directo à vitória inesperada de Obama no caucos de Iowa. Cinco dias mais tarde, também em directo, quase perdi a esperança perante o discurso triunfante de Clinton nas primárias de New Hampshire. Estava sentado sozinho em frente do televisor, a curar as mágoas como um gato lambe as feridas após a escaramuça, quando Obama subiu ao palanque e proferiu as palavras que entretanto foram inscritas nos anais da História: "Yes, we can!" Naquele momento, tal como milhões de espectadores na América e no mundo, soube que estava perante não só o melhor candidato, como também o futuro vencedor das eleições.



    Ao longo dos meses seguintes, descobri muito mais sobre este candidato e sobre as suas propostas, por vezes surprendendo-me pela negativa, outras pela positiva. Porém, mantive sempre as minhas duas convicções originais: que Obama era o melhor candidato; e que seria o vencedor. Hoje, mesmo reconhecendo a possibilidade de surpresas de última hora, sinto as minhas opções reinvindicadas, quer pela vantagem considerável apontada por todas as sondagens, quer pelos apoios que Obama conseguiu reunir - o último dos quais pelo The Economist. Obama é já o vencedor para todos aqueles que, como eu, acreditaram que a America estava preparada para abandonar os políticos e as estrátegias do passado e voltar a face para uma nova era. Obama é já o vencedor porque, pese embora as eventuais limitações prácticas da mensagem de mudança na Casa Branca, ela já aconteceu por todo o país - como diria o próprio, "something is happening in America." Por isso, na próxima terça-feira, em vez de estar sentado em frente ao televisor a roer as unhas, vou dormir tranquilamente com a confiança de estar num mundo um bocadinho melhor.
    Texto e Imagem: Meus

    quinta-feira, outubro 16, 2008

    Mais algumas fotos...













    terça-feira, outubro 14, 2008

    Shibam, Thula e Kawkakan

    Ola a todos!

    Desculpem a interregno mas infelizmente n tenho tido mto tempo para vir a internet cafes fazer uploads. Para alem disso, n e facil tirar fotos. Ontem, recebemos a noticia de que todos os departamentos da ONU no Yemen passaram ao nivel 3 de seguranca (por ordem directa do secretario-geral Ban Kin-Moon, assinada no passado domingo) o q quer dizer q todo o pessoal deve manter o mais low-profile possivel - logo, NO PICTURES! Os meus companheiros la no emprego estao a bater um bocado mal c esta noticia, especialmente pq o nivel 3 implica o evacoamento do pessoal dito 'nao-essencial' e das familias dos funcionarios da ONU...no meio disto, estou eu, que nao n tenho seguro da ONU, nem serei evacoado por eles caso haja sarilho - o q acaba por ser bom pq ninguem se importa q eu fique no Yemen e q va ao escritorio todos os dias. De qualquer maneira, na minha perspectiva, e na de outras pessoas melhor informadas, n ha motivos para alarme. Parece q a ONU esta a tomar esta medida de precaucao devido ao trauma do atentado as instalacoes da ONU em Algiers em Janeiro de 2008. De resto, a minha pesquisa esta a correr bem, embora lentamente, e ja comecei c as aulas de Arabe. Queria tb por algumas fotos da minha casa (ou melhor, palacio), mas esta pen que comprei no Yemen n e de mto boa qualidade e estraga as fotos....
    Aqui ficam algumas fotos de um passeio q fiz a algumas aldeias a volta de Sana'a:


    Plantacao de Qat:

    Bem, queria por mt mais fotografias aqui mas a net e mesmo lenta e n consgui. Mas entretanto, devido a situacao de seguranca, decidi trabalhar em casa e vou arranjar net em casa portanto pode ser q consiga qlq coisa mais rapida. Logo que puder, ponho mais fotos. Ate breve!


    quinta-feira, outubro 02, 2008

    Yemen Surreal

    Em dez pontos vou tentar dar alguma ideia das minhas primeiras impressoes do Yemen, uma terra surreal:

    10 - Qat: O vicio nacional. O qat e uma planta que se masca (tipo folha de coca) e que nao tem efeitos "psico-tropicos," nem provoca dependencia. Resulta meramente como um estimulante leve que pode tambem ajudar a suprimir a fome. A grande maioria dos yemenitas comeca logo a mascar a meio da tarde, alguns logo a seguir ao almoco - nao se celebram negocios sem mascar qat. Ao longo do dia e da noite, vao formando um residuo das folhas mascadas numa bochecha, que vai crescendo ate formar uma enorme bola de um dos lados da cara. Por volta das 10 da noite, as ruas estao cheias de qat porque os yemenitas apenas mascam as folhas mais jovens, e deitam tudo o resto fora.



    9 - Trafico urbano. Sinceramente, ja estive na India, em Cabo Verde, no Brasil, mas nunca vi nada assim. Logo na primeira semana vi pelo menos tres acidentes. Os carros sao podres, mas os condutores sao pessimos. Os piores sao os tipos das motos (ja vi 4 numa so moto) que conseguem fazer tudo ao mesmo tempo que conduzem. Julgo que este aspecto esta relacionado com o ponto anterior, uma vez que quase todos os condutores tem uma grande bola de qat. Para alem do mais, nao e fora de vulgar ver um rapaz de 12 anos a conduzir um carro. Mas para ver o verdadeiro espectaculo e preciso ir ate a praca principal, Al-Tahrir Square ("Praca da Libertacao", dos colonialistas, julgo eu...), onde criancas de qualquer idade (ou seja desde que tenham os bracos suficientemente grandes para chegar ao volante) podem alugar uma scooter e, muito literalmente, desbundar o alcatrao!


    8 - O Museu Militar de Sanaa e o mais sangrento que alguma vez ja vi. Para alem de uma coleccao fabulosa de kalashnikovs, metralhadoras, canhoes, espingardas e pistolas de todas as nacionalidades e idades, o museu narra graficamente todas as guerras (civis!) em que o Yemen esteve envolvido durante este seculo. Portanto, na sala dedicada a repressao da ditadura podemos ver varios exemplos de execucoes publicas, algumas por decapitacao, desde o momento em que o martir chega ate ao climax, quando o carrasco agarra na cabeca decapitada e espeta-a num pau de madeira para todos poderem observar. O highlight do museu sao os dois Caddilacs blindados do Iman que foram atacados por rebeldes e por isso pejados de balas e artilharia mais forte.


    7 - Ramadao. Cheguei mesmo no culminar do Ramadao, o que dificultou bastante minha vida, visto ser absolutamente proibido comer, beber, fumar ou fazer qualquer outra coisa para alem de dormir entre as 4 da manha e as 6 da tarde. Portanto, vive-se a noite, o que e extremamente confuso para quem tem que ir trabalhar durante o dia (a ONU nao altera o horario) e procurar casa, comprar cartao de telemovel, etc de noite. Senti-me sempre ao contrario do resto da cidade, e mesmo agora ainda n acertei muito bem com os horarios yemenitas. Como ocidental, tenho direito a alguns excepcoes a estas regras - como por exemplo, poder beber e comer no hotel durante as horas proibidas, e mesmo assim recebi alguns olhares reprovadores. Para alem do mais, como Sanaa nao e a cidade mais fresca do mundo, custa bastante andar na rua, sem poder tirar a garrafa de agua da mochila para aliviar a sede.


    6 - Carros de incendio alemaes. Nao deixa de ser bizarro deparar com o sinal Feurwerk no meio da cidade antiga...


    5 - A comida yemenita baseia-se nos feijoes, na carne estufada com feijoes, na galinha/cordeiro cozido com um condimento amarelo e no pao tipo naan - o melhor de tudo. No entanto, e apesar de Sanaa estar rodeada pelo deserto por todos os lados, a grande especialidade local e o peixe grelhado.! Nos restaurantes, os talheres sao apenas servidos por pedido a toalha e um pedaco de plastico.


    4 - Esta terca-feira celebrou-se o Eid que e uma especie de Natal para os muculmanos. Tal como na tradicao crista, tambem neste dia se entregam presentes as criancas. Como entretanto me mudei para um hostel na cidade antiga, onde a ausencia de carros permite as brincadeiras nas rua, tive oportunidade de observar em primeira mao a euforia dos dias seguintes. A surpresa nao foi a quantidade de criancas nas ruas, mas sim as escolhados dos presentes: quase todos os meninos tiveram uma pistola, ou metralhadora, ou espingarda e os poucos que nao tiveram, receberam espadas e catanas! As raparigas receberam disfarces, na sua grande maioria, trajes de sevilhanas...


    3 - As imagens do Presidente, o mesmo desde o final da ultima grande guerra civil, ha 30 anos atras, estao por todo o lado: nos postes das ruas, nas paredes das casas, colados em todos os cantos possiveis, em bandas na rua. Cheguei a ver uma casa para alugar que tinha pelo menos um retrato do Presidente em todas as divisoes.


    2 - Ja sabia que o Yemen era um pais conservador mas nunca imaginei o quanto. E extremamente conservador. Este aspecto e bastante aparente na situacao das mulheres. Desde que ca cheguei ainda n vi nenhuma mulher na rua com a cabeca destapada; 90% das mulheres anda completamente vestida de preto, tendo apenas os olhos a mostra; e os outros 10%, andam igualmente vestidas de preto dos pes a cabeca, mas trazem a cara destapada. A grande maioria das nao pode sair de casa sem estar acompanhada pelo marido ou por uma familiar mais velha; na rua, elas andam quase sempre atras dos homens, e seguem-nos do autocarro para o passeio, dos taxis para as lojas, sem trocarem palavra ou se sentar um ao lado do outro. Em geral, as mulheres nao podem comer em restaurantes - seria impossivel comer em publico c um lenco a tapar a boca. Apenas nos restaurantes melhores se podem ver mulheres e, nestes casos, estao separadas do resto da sala por biombos de tecido, tal como nos hospitais de campanha.


    1 - Por ultimo, e na sequencia do ultimo ponto, a grande maioria das mulheres n pode trabalhar fora de casa. Por isso, a maior parte dos empregos que estamos habituados a identificar com tarefas femininas, sao, fora de casa, desempenhados por homens. E o caso dos empregados de limpeza nos hoteis, nos restaurantes e no meu emprego; e tambem dos cozinheiros em quase todos os sitios. Por exemplo, se quissesse contratar alguem para lavar a minha roupa, ir as compras, cozinhar o jantar e limpar a casa contratava um 'empregado'. Felizmente, este rapaz ja aprendeu a fazer as actividades acima descritas e nao precisa de nenhum empregado!
    Texto e fotografias minhas.

    quarta-feira, setembro 17, 2008

    A lista negra

    Na sequência do ataque de hoje contra a embaixada norte-americana na capital do Yemen, Sanaa, onde curiosamente estarei por três meses a partir de segunda-feira, decidi fazer uma pequena pesquisa na net sobre os países em maior risco de se tornarem "estados falhados." Para meu jubilo e apaziguamento, o Yemen, apesar de vir referido como o 21º país em risco, falha a lista dos países em estado de alerta vermelho. São eles:

    1 - Somália;
    2 - Sudão;
    3 - Zimbabwe;
    4 - Chad;
    5 - Iraque;
    6 - República Democrática do Congo;
    7 - Afghanistão;
    8 - Costa do Marfim;
    9 - Pakistão;
    10 - República do Centro Africano;
    11 - Guiné;
    12 - Bangladesh;
    13 - Burma;
    14 - Haiti;
    15 - Korea do Norte;
    16 - Uganda;
    17 - Etiópia;
    18 - Lebano;
    19 - Nigeria;
    20 - Sri Lanka;

    Para quem quiser ver o resto da lista, que conta ainda com Timor-Leste, Guiné-Bissau, Angola:
    http://www.foreignpolicy.com/images/fs2008/failed_states_ranking.jpg

    terça-feira, setembro 02, 2008

    Fim de férias


    Olá! Depois de um interregno de alguns dias, devido à visita da minha mãe e do meu irmão, regresso ao blog com uma fotografia tirada por mim em Santa Monica, L.A.. Achei piada à matricula e quando estava a tirar a fotografia, esta senhora saiu de dentro do carro e veio verificar se estava bem estacionado. O resultado está à vista!

    segunda-feira, agosto 18, 2008

    Um casamento para segunda-feira






















    Fotografia tirada por mim em St-Germain-des-Près, Paris, em Maio de 2008

    sábado, agosto 16, 2008

    Bush começa a marcha de despedida

    Esta é apenas uma pequena parte de uma entrevista gravada na segunda-feira. Vi a entrevista pouco depois de ser transmitida em directo pela NBC e, desde logo, identifiquei um discurso de um politico a procura de redenção antes de abandonar o palco (tal como Tony Blair). Nesta fase, o Presidente ainda estava bastante ao ataque (com comentários como "I told Putin this violence was unacceptable."), mas mesmo assim sobresaem algumas manobras demagogia ("I dont see America having problems." e "If you are a religious person, you understand that once religion takes hold in a society it can't be stopped"). Mas à frente, Bush mostra-se mais relaxado e diz tentar colar-se ao sucesso das equipas olimpicas norte-americanas (nomeadamente a de Basketball, o que nao deixa de ser interessante...). Infelizmente, julgo que muitos americanos e não-americanos, ainda vão ter saudades dos dias em que os EUA tinham um líder tão na sua dominância global. Se conseguirem encontrar a entrevista toda, vale a pena.

    quinta-feira, agosto 14, 2008

    Os donos da Guerra




    Não passou despercebido a ninguém de que a ofensiva russa sobre a Ossétia do Sul tomou lugar no exacto dia em que começaram os Jogos Olímpicos. Este facto contribuiu apenas para agravar o sentimento generalizado de repugnância contra uma intervenção absolutamente desproporcionada, tal a violência e o cáracter imprevisto do ataque, fundada numa lamentável questão de domínio regional da Russia. A Ossétia do Sul nem sequer tem petróleo ou gás natural para "justificar" uma guerra no contexto da época em que vivemos (embora a Georgia possua reservas de gás natural). Pelo contrário, a província é incrívelmente pobre, a sua economia principalmente centrada na agricultura.


    Desde as primeiras imagens que vi sobre este conflito fiquei muito impressionado com a brutalidade do ataque, com o maquiavelismo russo e com o contraste entre o que se está a passar no território e o resto do mundo, em sua grande maioria, de férias, longe de todos os problemas. Só esta terça-feira, enquanto estava a ver a CNN no ginásio, percebi que nem todo o mundo está de férias. Pois é: neste canto do mundo, há uma eleição importante a decorrer e uma ofensiva agressiva da antiga União Soviética não é assunto para ser ignorado. De súbido, o tema em roda-pé na CNN, na NCB e na Fox deixou de ser a crise económica, o petróleo, a Guerra no Iraque, ou no Afeganistão e passou a ser a eterna inimiga, a Rússia. E a "million dollar question" em todos os canais era: o que fariam John McCain ou Barack Obama se fossem Presidente?


    Uma vez que os candidatos não estavam acessíveis para comentários (aparentemente, estavam de férias), e o Presidente Bush tinha-se já adiantado com dois ou três comentários prepotentes sobre a omnipotência americana (por isso, tantos americanos o adoram), a CNN chamou dois comentadores para responder pelos candidatos. Numa exemplar demonstração de imparcialidade nos media americanos, tanto um como o outro argumentaram que John McCain era o homem que os americanos podiam contar para resolver estes problemas. Por sua vez, Obama não tinha a experiencia (tanto militar, como política) para lidar com os preversos Russos.


    Embora este aspecto não tenha ainda provocado um impacto significante sobre as sondagens, temo que um agravamento do conflicto, uma maior intervenção dos EUA, venha a ter um impacto considerável sobre as intenções de voto. De facto, não existem dúvidas que numa situação de ameaça física, os americanos parecem encontrar conforto na rigidez e estilo imperialista do Partido Republicano - principalmente, quando o candidato oposto se chama Barack Hussein Obama. Aliás, já num post anterior falei da possibilidade de guerra no Irão vir a servir de alíbi a McCain para chegar à Casa Branca. Espero que não seja esse o caso, principalmente pelos Ossétios, mas também pelo futuro do mundo.

    quarta-feira, agosto 06, 2008

    A série dos casamentos

    A minha nova obsessão: fotografar noivos no momento da fotografia da praxe pelos cantos do mundo por onde passo. A primeira fotografia desta série foi tirada este ano em Paris, quando apanhei um casal de noivos na rua. Como podem ver o resultado é bastante cómico. Aqui fica a última tirada na margens do Lago Champlain, em Burlington, Vermont:


    domingo, julho 27, 2008

    Lets go Red Socks!!





    quarta-feira, julho 23, 2008

    A Moda do Fist Bump

    O "Porreiro, pa!" americano...


    sexta-feira, julho 18, 2008

    Uma Aventura na Campanha de Obama


    A vitória de Barack Obama sobre Hillary Clinton nas primárias do Partido Democrata foi o triunfo pessoal de um candidato carismático, mas também a vitória de um enorme grupo de cidadãos que se empenharam em mudar o rumo da política norte-americana. Tendo começado com considerável desvantagem sobre a campanha favorita, a 'Obama team' conseguiu reverter a tendência através do uso eficaz dos media, do webpage ao facebook, de mobilizar novos eleitores, através de uma multitude de pequenos eventos de campanha espalhados pelas cidades, vilas e freguesias dos EUA, e de montar uma gigantesca rede de angariação de fundos que fez da campanha de Obama a mais rica de sempre. O sucesso é resultado de diversas acções oficiais de campanha, dirigidas directa ou indirectamente do 'Obama headquarters' em Chicago, mas também, e principalmente, de um movimento independente de cidadãos que trabalhou e trabalha para eleger Obama. Este movimento chama-se 'grassroots campaign' - ou seja, a campanha de raiz, do povo. Sem ele, Barack Obama não estaria onde está e os Republicanos estariam hoje certamente mais tranquilos. A ideia parecia promissora e, por isso, decidi investir um parte do meu tempo para descobrir o que é afinal a 'grassroots campaign.'


    A primeira etapa desta minha indagação passou-se em Harvard Yard, junto de um anúncio para 'Summer Campaign Jobs' que prometia salários entre 2,000 e 4,000 doláres em dois meses. O papel dizia: "Call Sam at: 617-338-7882 www.bringchange2008.org". Lá liguei para a Sam e em menos de 5 minutos fiquei com uma entrevista marcada para 3h 30 da seguinte Quinta-Feira. Na altura, perguntei se os estrangeiros também podiam participar e recebi uma resposta afirmativa. O George também quis ver o que era e portanto fomos os dois. O escritório ficava no quarto-andar de um edíficio vulgar e, como a maior parte dos escritórios de campanha (acho que por esta altura já vi suficiente escritórios de campanha para criar o meu esteriótipo), estava indescritívelmente caótico: as paredes calafetadas com recortes, notas, fotografias e lembretes, pilhas de papel nos cantos da sala, encostados às secretárias, junto dos telefones vários, cobrindo as mesas, lixo dentro e fora dos respectivos caixotes, cabos e fios traçando a alcatifa de lés-a-lés e cadeiras, todas elas singulares, como estátuas abandonadas pela sala. No apogeu dos seus vinte e muitos anos, a Sam era uma daquelas pessoas que anda sempre a fazer mais coisas do que é humanamente possível, e mandou-nos entrar para uma sala onde já estavam outras três pessoas sentadas: uma rapariga loira respeitosamente arranjada para a entrevista; um sem-abrigo de cinquenta ou sessenta anos, e uma outra rapariga com um ar mais relaxado. Ninguém disse palavra até a Sam entrar na sala para nos explicar como funcionava o 'grassroots campaigning'. O objectivo era angariar o máximo de dinheiro para ajudar Barack Obama a ganhar as eleições em Novembro. Todos os dias, entre as 2 da tarde e as 10 da noite, às vezes até mais tarde, deveriamos percorrer uma área da cidade e tocar em todas as portas para pedir dinheiro. O dinheiro que ganhariamos dependia do dinheiro que conseguissemos angariar. "Os melhores angariadores," a Sam explicava, conseguiam fazer mais de 1000 dólares num dia e conseguiam viver só da campanha. Ela própria, por exemplo, tinha abdicado do seu emprego em Janeiro para se dedicar em pleno à causa.



    Acabada esta fase, passamos à parte das entrevistas que foram conduzidas uma a uma na sala caótica. Primeiro a rapariga loira e depois fui eu. A Sam começou por dizer que até agora tinha falado ela e agora era a minha vez de contar a minha história: o que estava a fazer nos EUA, a minha experiência na área, porque queria trabalhar no 'grassroots campaign', etc. Até aqui tudo muito bem, aliás acho que a impressionei com o meu interesse em importar o modelo da 'grassroots campaigns' para a Europa. Foi na última pergunta que a vi o reflexo da minha cara perder o brilho na dela: devia imaginar que tinha tocado à porta dela a pedir dinheiro e que ela tinha dito que iria votar no Barack Obama, mas que não queria doar dinheiro agora, mas só mais perto da eleição. O que responderia eu a isto? Chegar à resposta foi bastante simples ("agora é que Barack Obama precisa de dinheiro, mais tarde já não fará diferença), mas a falta de convicção na minha voz foi dolorosa. A verdade é que não me identifiquei com este modo de angariar dinheiro e muito menos compreendi a diferença de 10, 15 ou 50 doláres agora ou mais tarde para Barack Obama, quando porventura fariam falta a quem os desse. Seriam esses dólares que ajudariam a pagar a dívida de Hillary Clinton? Ou seriam esses dólares para pagar o meu tempo? A entrevista acabou por aí e a Sam disse-me que ligaria até ao final da semana se tivesse alguma coisa para mim. Como é óbvio, nunca mais ligou - nem a mim, nem ao George. Algumas semanas mais tarde, o George encontrou-a por acaso no metro. Ela disse-lhe que não nos tinha ligado porque eramos estrangeiros e não tinhamos um visto de trabalho nos EUA...




    (continua com uma "Obama Party")

    quarta-feira, julho 16, 2008

    Diplomacia no sec. XXI

    Dizia um comentador ingles a respeito destas celebracoes que Sarkozy e um homem surpreendente porque permanece em continua campanha eleitoral. Seja isto positivo ou negativo, a verdade e que o Presidente Frances tem vindo a definir um novo estilo para a politica externa do seu pais e, 'por arrasto', da Europa. Aqui, o dia da Bastilha transforma-se num ritual diplomatico entre a parada militar fascista, o culto da celebridade anglo-saxonico, o triunfalismo napoleonico e o paternalismo gaulista. Surpreendente? Peut-etre.

    terça-feira, julho 15, 2008

    Sensacionalismo ou satirismo?


    A controversia está lançada nos EUA. Qual é a vossa opinião?

    sábado, julho 12, 2008

    Hoje no New York Times

    Lisbon Comes Alive


    By SETH SHERWOOD
    Published: July 13, 2008

    FOR its 99th birthday last year, the decrepit Fábrica Braço de Prata factory complex underwent the real estate equivalent of a Saul-to-Paul spiritual conversion.

    A manufacturer of weapons during the dark years of dictatorship in Portugal, the long-disused facility was reborn as Lisbon’s most ambitious new cultural venue. Guns and grenades were replaced by concert rooms, exhibition spaces, a sprawling bookstore, a cinema, a restaurant and various bars.
    When the metamorphosis was complete, only one potentially troubling question lingered: Would Lisbonfolk actually drag themselves to the city’s outskirts to visit an old industrial space with sinister associations and an unusually eclectic booking policy encompassing everything from electronic
    music to philosophical conferences to free-form jazz?
    “It was a big risk,” said Michel de Roubaix, a resident artist who is the accordion-playing leader of a postmodern cabaret show at the center.
    After all, this wasn’t a metropolis with a well-established avant-garde tradition like
    Paris or Berlin, but dowdy old Lisbon, a small Catholic city that is best known for inexpensive seafood meals, throwback cable cars and faded colonial architecture from Portugal’s long-vanished international empire.
    But on a balmy night in March, the throngs filing into the complex made it clear that the city was more than ready for a bit of progressive bohemia in their remote corner of the Continent. Looking like the assembled listenership of some Portuguese version of
    National Public Radio, a buzzing crowd of tweedy academics, tattooed cool kids, bourgeois couples and bespectacled grad-student types fanned out to sample Fábrica Braço de Prata’s typically diverse offerings: a jazz combo, a reggae outfit, a Leonard Cohen documentary and a 1 a.m. after-party featuring D.J.’s and alternative bands.
    “It’s creative in all areas — theater,
    art, music, dance,” Mr. de Roubaix said of the venue’s appeal, clearly pleased by its unexpected success. “There’s a fast turnover of events and shows that keeps the place very dynamic.”
    The same could be said for 21st-century Lisbon.
    Fábrica Braço de Prata’s transformation is emblematic of the city’s sudden cultural emergence. Like the factory, Portugal languished for much of the 20th century on
    Europe’s geographic and cultural margins. From the 1920s until the 1970s, a repressive dictatorship smothered the nation, sending the creative classes fleeing to London and Paris and severely stunting any potential arts scene. The economy also slumped. Once the center of a global trade empire, Portugal sunk into notoriety as Western Europe’s poorest nation.
    As dust collected on Lisbon’s monuments — Roman theaters, Moorish edifices, Gothic churches, Baroque squares — the city became the Miss Havisham of Western Europe: a relic, forgotten and forlorn.
    The last of the Western European capitals to experience a cultural bloom, Lisbon is avidly making up for lost time. All over the city, an upstart generation is laying waste to the sepia-toned stereotypes and gleefully constructing edgy and forward-looking ventures amid the time-worn monuments and quaint cobbled lanes.
    “I remember being a kid and thinking, ‘Nothing happens in Lisbon. Why should we have to go abroad to see stuff happening and new stuff and to get inspired?’ “ said Nuno Pinho, 33, co-owner of a gallery called In-Cubo that opened last year. “Now there are so many things happening in Lisbon that you can’t get to everything — concerts, exhibitions.”
    “It is not an old-fashioned city where the women still carry fish on their heads.”
    A former antiques store, In-Cubo is devoted to graffiti and other contemporary urban art forms. Similar renovations are taking place throughout the neighborhood, Principe Real, where dilapidated buildings are filling with concept stores, galleries and boutiques. A short walk away, a formerly louche strip club called Cabaret Maxime has reopened as a much-ballyhooed new nightclub for the city’s most unusual and alternative bands and performance outfits. Throw in Lisbon’s new world-class art museum, the
    Berardo Collection Museum, and a nascent fashion scene, and you have Western Europe’s fastest-rising cultural center.
    The future appears even brighter. Next year may see the much-awaited opening of MuDe, an eight-story museum of international fashion and design. Meanwhile,
    Norman Foster has been hired to construct a vast new development in Lisbon’s emerging design district, Santos , that will add even more cutting-edge shops and art spaces to the waterfront. The star architect Jean Nouvel, this year’s winner of the Pritzker Prize, is also slated to add his postmodern stamp to the Lisbon cityscape. His Alcântara-Mar project, if realized, will contain four sleek buildings of restaurants, cafes, boutiques, gardens and apartments.
    And as the city’s cool factor has surged, so has its international profile.
    MTV Europe held its music awards in Lisbon in 2005. Last year, the influential London-based World Travel and Tourism Council held its annual convention there. If anything, the global spotlight seems likely to get even more intense thanks to a bevy of high-profile international festivals that have started in recent years, including the biennial ExperimentaDesign (next up in 2009) and the Lisbon Architecture Triennale (coming again in 2010).
    On a balmy spring night, the gala 30th edition of Moda Lisboa, Lisbon’s twice-yearly fashion week, was in full swing. As a pulsating electronic-music beat filled the Estoril Casino ballroom, female models filed down a catwalk in futuristic black and gray garments suggesting haute-couture flight suits. Conceived by a young designer named Katty Xiomara, and known as “Metropolis,” the retro-futuristic collection owed a clear debt to
    Fritz Lang’s sci-fi film.
    “In the beginning we didn’t have buyers, no fashion magazines, no journalists and only one modeling agency,” said Eduarda Abbondanza, the festival’s director, of the early editions of Moda Lisboa, in the 1990s. Next to her, Portuguese and Italian camera crews interviewed designers and local VIPs, many with champagne flutes and BlackBerrys in hand.
    “Now we have fashion universities, and the world media is here,” she observed before shooting off a list of Portuguese designers now working senior positions in major international fashion houses: Balenciaga, Givenchy,
    Betsey Johnson.
    For designers who have chosen to stay at home, the old lanes of the Bairro Alto and Chiado districts have become the choice spots for launching stores and showrooms.
    By night, hipsters and young professionals fill the area’s myriad bars and D.J. lounges. By day, tranquillity resumes and savvy clotheshorses snap up locally made threads in boutiques like
    Ana Salazar and Alves/Gonçalves. Much of the best work imaginatively channels Portuguese history, geography or even literature into distinctive 21st-century garments.
    “I’m from
    Madeira island, from the sun,” said Fátima Lopes, 43, the dark-eyed queen of Portuguese fashion, as she sat one afternoon in her eponymous Bairro Alto boutique. “I am used to wearing miniskirts and shorts. For me the body is nothing to hide.”
    It’s hardly a surprising statement coming from a woman who in 2000 astonished Paris Fashion Week by mounting the runway in a self-designed bikini outfitted with about a million dollars’ worth of diamonds. (They were supplied by an
    Antwerp merchant.)
    Similarly, a Latin warmth radiates throughout the angular, postmodern shop, whose bright orange and red walls hold all manner of colorful, finely cut and close-fitting clothing: slimly tailored gunmetal blue suits for men, long, low-cut red diva dresses for women. The Fátima Lopes woman, the designer said, “is strong and at the same time very feminine.”
    O resto do artigo em:

    terça-feira, julho 08, 2008

    Doa a Quem Doar

    Um editorial recente no New York Times trazia alguns dados interessantes sobre a rede de patrocinadores dos candidatos presidenciais, um 'hot topic' nos EUA visto Barack Obama ter, pela primeira vez na história das presidenciais americanas, renunciado ao financiamento público. No entanto, a lista de doadores vinha acompanhada da advertência de que 'change e hope' não existem sem a Goldman Sachs...descubram porquê:

    - os advogados representam a maior fatia dos doadores da campanha de Obama, tendo contribuido com 18 milhões de dolares; a mesma profissão contribuiu apenas $5 milhões para a campanha de John McCain.

    - seguem-se os profissionais das áreas da comunicação e electrónica que doaram $10 milhões a Obama e apenas $2 milhões a McCain.

    - os profissionais das áreas de seguros e investimento doaram cerca de $8 milhões a Obama e $4.5 milhões a McCain.

    - Professores e outros profissionais na área da educação doaram cerca de $7 milhões a Obama e apenas $700,000 a McCain.

    - Profissionais do sector da saúde doaram $7 milhões a Obama, e $3 milhões a McCain.

    - Profissionais do sector imobiliário doaram $5 milhões a Obama, e $4 milhões a McCain.

    - Empregado bancários doaram $1.6 milhões a Obama, e $1.2 milhões a McCain.

    - os funcionários da Goldman Sachs foram os que doaram mais para a campanha de Barack Obama. Estes foram seguidos pelos funcionários da University of California, UBS, JP Morgan Chase, Citigroup, National Amusements, Lehman Brothers, Harvard e Google.

    - apenas 45% dos fundos de campanha de Barack Obama originaram de doações de $200 dolares ou menos.


    A conclusão do artigo, escrito por David Brooks, é a seguinte:


    "The real core of his financial support is something else, the rising class of information age analysts. Once the wealthy were solidly Republican. But the information age rewards education with money. There are many smart high achievers who grew up in liberal suburbs around San Francisco, L.A. and New York, went to left-leaning universities like Harvard and Berkeley and took their values witht them when they became investment bankers, doctors and litigators."

    P.S.: Ficamos à espera que esta 'mudança', com ou sem Goldman Sachs, também chegue a Portugal!