('O Arquipélago da Palestina Oriental' caso fosse rodeada pelo mar e não por Israel. Julien Bousac via Le Monde Diplomatique)A presente proposta de paz no Médio Oriente assenta em três convicções:
1. A paz no Médio Oriente é urgente e necessária. Segundo diversos analistas, e inclusivamente a Secretária de Estado Norte-Americana, Hillary Clinton, o fracasso deste processo de paz acarretará consequências catastróficas para a região e o mundo: logo de imediato, despoletaria uma terceira Intifada (‘rebelião popular’) que implicaria nova intervenção do exército israelitas nos territórios palestinianos; reforçaria também a posição do Hamas, o partido palestiniano da não-colaboração, e, eventualmente, aceleraria o eclipse do Fatah, o único parceiro palestiniano aceite pelos Israelitas; seria, assim, o ponto final, ou então o regresso ao início deste processo de paz; por outro lado, a intensificação do conflicto restabeleceria a soberania popular de grupos regionais como o Hezbollah no Líbano (que seria inevitavelmente o primeiro país a ecoar a violência) ou a Muslim Brotherhood no Egipto (onde a elite política enfrenta agora o dilema da sucessão de Hosni Mubarak) e de regimes sustentados pela oposição ao Sionismo e ao mundo ocidental como a Síria (silenciada por agora pela grave crise económica) e o Irão (a um passo de adquirir a bomba atómica e de incitar uma ‘corrida às armas’ na região). O problema do Irão é, pelo menos, bicéfalo: por um lado, existe o risco de uma disputa militar entre o Irão e Israel; por outro, resiste a contenda entre o Irão Shiita e os Árabes Sunitas que não vêem com bons olhos a afirmação de um velho inimigo. Daí, à destabilização da paz mundial, ao aumento do preço do petróleo e à crise social na Europa é um pequeno passo.
2. Os Palestinianos precisam de um Estado. A Bósnia tem um, Timor-leste tem um, o Kosovo tem um e a Palestina continua à espera de ser reconhecida. A partir da Guerra dos Seis Dias em 1967, durante a qual Israel capturou a Margem Ocidental e a faixa de Gaza, os palestinianos perderam a sua autonomia nacional. A Autoridade Palestiniana, a organização que governa os territórios palestinianos num regime de quase partido único, é reconhecida no palco internacional meramente como uma representante interina e não como a legítima representante de um Estado autónomo e soberano. As suas competências resumem-se ao controlo de questões civis e de segurança numa pequena parcela do território. Na práctica, a situação traduz-se na impotência da Autoridade face à proliferação de colonatos israelitas nos territórios palestinianos, aos constantes postos de controlo militar israelitas e a muitas outras restrições da liberdade individual e colectiva das populações palestinianas. Acima de tudo, a nova administração Obama considera que a atribuição de um Estado Nacional aos Palestinianos é essencial para a segurança de Israel, da região e, em última análise, dos próprios Estados Unidos da América.
1. A paz no Médio Oriente é urgente e necessária. Segundo diversos analistas, e inclusivamente a Secretária de Estado Norte-Americana, Hillary Clinton, o fracasso deste processo de paz acarretará consequências catastróficas para a região e o mundo: logo de imediato, despoletaria uma terceira Intifada (‘rebelião popular’) que implicaria nova intervenção do exército israelitas nos territórios palestinianos; reforçaria também a posição do Hamas, o partido palestiniano da não-colaboração, e, eventualmente, aceleraria o eclipse do Fatah, o único parceiro palestiniano aceite pelos Israelitas; seria, assim, o ponto final, ou então o regresso ao início deste processo de paz; por outro lado, a intensificação do conflicto restabeleceria a soberania popular de grupos regionais como o Hezbollah no Líbano (que seria inevitavelmente o primeiro país a ecoar a violência) ou a Muslim Brotherhood no Egipto (onde a elite política enfrenta agora o dilema da sucessão de Hosni Mubarak) e de regimes sustentados pela oposição ao Sionismo e ao mundo ocidental como a Síria (silenciada por agora pela grave crise económica) e o Irão (a um passo de adquirir a bomba atómica e de incitar uma ‘corrida às armas’ na região). O problema do Irão é, pelo menos, bicéfalo: por um lado, existe o risco de uma disputa militar entre o Irão e Israel; por outro, resiste a contenda entre o Irão Shiita e os Árabes Sunitas que não vêem com bons olhos a afirmação de um velho inimigo. Daí, à destabilização da paz mundial, ao aumento do preço do petróleo e à crise social na Europa é um pequeno passo.
2. Os Palestinianos precisam de um Estado. A Bósnia tem um, Timor-leste tem um, o Kosovo tem um e a Palestina continua à espera de ser reconhecida. A partir da Guerra dos Seis Dias em 1967, durante a qual Israel capturou a Margem Ocidental e a faixa de Gaza, os palestinianos perderam a sua autonomia nacional. A Autoridade Palestiniana, a organização que governa os territórios palestinianos num regime de quase partido único, é reconhecida no palco internacional meramente como uma representante interina e não como a legítima representante de um Estado autónomo e soberano. As suas competências resumem-se ao controlo de questões civis e de segurança numa pequena parcela do território. Na práctica, a situação traduz-se na impotência da Autoridade face à proliferação de colonatos israelitas nos territórios palestinianos, aos constantes postos de controlo militar israelitas e a muitas outras restrições da liberdade individual e colectiva das populações palestinianas. Acima de tudo, a nova administração Obama considera que a atribuição de um Estado Nacional aos Palestinianos é essencial para a segurança de Israel, da região e, em última análise, dos próprios Estados Unidos da América.
3. Os Israelitas estão dispostos a aceitar a criação do Estado Palestiniano pela obtenção de segurança. Segundo sondagens recentes, a grande maioria dos Israelitas reconhece a necessidade de alcançar a paz com os Palestinianos para vencer diversos obstáculos nacionais, desde a recuperação do sector turístico, à estabilização do volúvel sistema político e, acima de tudo, à restituição da segurança pública. Os Israelitas estão hoje, mais do que nunca, prontos a aceitar o retorno da Margem Ocidental, da faixa de Gaza e, porventura, dos Montes Golans, em troca de uma paz abrangente com todos os países na região que já foi designada como a '57-state solution.' Nesta solução, os Israelitas estariam dispostos a abrir mão dos territórios conquistados em 1967, e mantidos desde então como moedas de negociação, por um acordo de paz que visaria não só a cessação de ataques terroristas pelos palestinianos, mas também a abertura de relações diplomáticas com os países da Liga Árabe e do levantamento de restrições de viagem na região. Deste modo, os Israelitas conseguiriam alcançar a grande ambição de resolver a questão da insegurança e ansiedade nacional ao abafar as vozes oficiais que ainda defendem a sua aniquilação territorial. Aquém de obter um reconhecimento unânime e geral, os Israelitas retirariam assim o apoio de Estados soberanos, com a excepção do Irão, aos grupos e indivíduos que planeiam a sua extinção. Seria, do ponto de vista Israelita, uma enorme conquista, sessenta anos depois da sua atribulada chegada à comunidade internacional.
No próximo artigo: As razões do meu cepticismo em relação a este processo de paz.
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