(Os noivos no dia do casamento. AP)Deve ser da neblina que paira sobre Bruxelas. Obstrui a reflexão, confunde as ideias e retorce a realidade. Esta é a explicação mais plausível que encontro para o auto-flagelismo recente da União Europeia. Como exclamava esta manhã o antigo Primeiro-Ministro francês, Michel Rocard: “A Europa política está morta; com efeito, ela já sofreu cinco assassínios, todos eles mortais.” O resto da imprensa europeia está de acordo:
- Teresa de Sousa do Público escreve que “A Europa perdeu a primeira grande oportunidade de provar que falava a sério quando afirmava que o Tratado de Lisboa (…) Não poderia haver uma figura mais apagada e sem história que a sua (Herman Van Rompuy).”
- Michael White do The Guardian escreve: "Shaming and dreadful" is how one prominent colleague privately put it half an hour ago. (…) I'm struggling to be positive here. Ashton's never been elected; (…)Much more important, she is still a relative novice in trade issues – having taken over from Peter Mandelson barely a year ago – let alone the dangerous, devious world of international diplomacy.” Mais tarde, White conclui que, com estas nomeações, as ambições federalistas da Europa confirmam-se a ilusão que muitos têm postulado nos últimos 15 anos.
- O Frankfürter Allgemeine Zeitung escreve: “Será que estas duas personagens poderão encarnar o élan prometido por aqueles que nos governam? O Tratado de Lisboa é a versão light daquela que à partida foi baptizada como ‘Constituição da EU’. O termo provou ser demasiado grande para as ambições dos Europeus. Os títulos de Ministro dos Negócios Estrangeiros e de Presidente da UE passam agora também a ser demasiado grandes.”
- O El País ‘puxa a brasa à sua sardinha’ (afinal, Filipe Gonzáles chegou a ser proposto por Sarkozy como alternativa) e afirma: “La elección de Ashton sorprendió mucho más por su inexperiencia en asuntos diplomáticos. Fuentes comunitarias comentaban con cierta sorna que "los británicos querían liquidar el servicio exterior y lo han conseguido". Otros comentarios más críticos subrayaban la contradicción que supone "elegir a una persona con menos conocimientos y experiencia que Solana para un cargo con más competencias que el que actualmente desempeña Solana".
- Por sua vez, Quentin Peel para o Financial Times, escreve: “The immediate reaction in Washington on Thursday was one of shock and disappointment. (…)It shows that the advent of the Lisbon treaty has done nothing to make the distribution of jobs between 27 member states any easier.”
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