Em primeiro lugar, gostaria de apresentar as minhas sinceras desculpas por este interregno. Nas ultimas semanas, a frentenica sucessao dos eventos, assim como o meu proprio cansaco e a falta de acesso a computadores, impediram a assiduidade do relato. Espero, no entanto, poder compensa-los com a boa noticia que recebi nas ultimas semanas: fui aceite no doutoramento da George Washington University nos EUA. Portanto, ha um futuro a minha espera quando regressar. Parecendo que nao, esta noticia transformou muitas coisas esta viagem (a comecar pelo o sorriso que agora trago no rosto). Dito isto, e sem mais demoras, retomo entao o relato desta aventura no local onde vos deixei: em Amman.
No dia em que pretendiamos chegar e visitar Petra, os contratempos comecaram no momento em que saimos do Bdeiwi Hostel. O primeiro taxista levou-nos para um estacao de onde nao partiam autocarros para Petra. O segundo teve mais artimanha. Mal entramos no taxi, inicou uma lenga-lenga sobre a sua integridade de catolico em contraste com a desonestidade dos muculmanos (ou seja, todos os outros taxistas). Segundo ele, estes muculmanos nao tinham Deus o suficiente. Foi uma longa viagem a volta de Amman que ficou marcada por uma ameaca de abandono do taxi e sucessivos pedidos, directos e frontais, para que se calasse e nos deixasse pensar o que quissessemos sobre a sinceridade de muculmanos e cristaos. No final, pagamos menos do que marcava no taximetro tal era a nossa revolta com o homem.
La fomos nos, entre suor e nervos (e ainda nem eram dez da manha), ate ao autocarro que, certo como nos tinham dito, seguia para Petra. Porem, a dita maquina nao arrancava enquanto nao estivesse cheio, pelo que ficamos ali um bom bocado a espera que os passageiros tomassem os lugares. Sorte nossa que logo a chegada fizemos um amigo alemao, cumplice desconhecido de viagens pelo mundo, e que nos ajudou a passar o tempo. Finalmente, partimos - de janelas abertas para furar o ar fetido.
Porem, nem uma hora depois, estavamos a encostar na berma da estrada. Hora do chi-chi, nao queriamos crer. Sendo sexta-feira, tratava-se da hora da reza, em que quase todos os homens que seguiam viagem connosco acorreram a uma mesquita ali perto. Ficamos entao ali, nos os tres mais umas quantas mulheres a fumar cigarros dentro do autocarro, a curir o solzinho do deserto. Quando nos fizemos pela terceira vez a estrada, ja sabiamos que Petra nao seria para aquele dia.
No caminho, tivemos ainda oportunidade de ver os helicopetros onde seguiam o Vice-Presidente dos EUA, Joe Biden, e a sua mulher, que tinham nesse dia visitado Petra (curiosamente, o recinto esteve encerrado nesse dia e, por isso, mesmo que tivessemos chegado a tempo, nao poderiamos ter visitado). Falta dizer que nessa altura ja marcava as noticias o fracasso das negociacoes entre os EUA e Israel sobre a expansao dos colonatos e, o resto da viagem, prometia a esse nivel.
Chegamos a Petra pouco antes do por do sol. Felizmente, conseguimos quarto num sitio muito simpatico (o recepcionista quase que nos impunha um cha com ele sempre que entravamos ou saiamos), por um preco que deixou os nosso amigos invejosos (entretanto, conhecemos um belga e uma francesa).
Preparamos-nos para o dia que viria.
2 comentários:
Tenho acompanhado essa viagem com prazer. As descrições são muito interessantes e confirmam, em muitos casos, a minha dificuldade em visitar uma região, culturalmente tão distante. Apesar da beleza de alguns locais, são as formas de vida que me afastam.
Mas, hoje, a razão do meu comentário é o envio de parabéns por ter sido alcançado esse novo desafio de doutoramento em Washington.
Um abraço
José Rocha (pai no Nuno)
Muito obrigado pelas simpaticas palavras! As vezes e complicado manter o ritmo de publicacao, mas tenho tentado escrever no blog sempre que tenho oportunidade. Agora o futuro vai ser escrever de Washington!
Um abraco,
Diogo
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