A Gaivota Farragulha

    quinta-feira, fevereiro 05, 2009

    A Natureza como Arte

    ('The Loss of the Lisbon Rhinoceros', 2008, Walton Ford)

    O New Yorker da semana passada apresenta o pintor Walton Ford, a nova coqueluche da arte Norte-Americana. Segundo o artigo, o tríptico acima exibido, entitulado 'The Loss of the Lisbon Rhinoceros', terá sido o centro das atenções da sua última exposição, na Paul Kasmin Gallery de Chelsea. O quadro inspira-se em relatos da viagem em 1915 da embaixada do Rei Don Manuel II de Portugal ao Papa Leão X. Reza a história que uma das naus, onde incidentalmente seguia este animal, o primeiro rinoceronte visto em toda a Europa desde o tempo dos Romanos, naufragou ao largo de Genova. Ford ilustra a tragédia do ponto de vista do animal que ergue a cabeça para desvendar os primeiros contornos de terra firme, sabendo que não a poderá alcançar pois está agrilhoado ao mastro do navio. No fundo, e como nos leva a crer o New Yorker, toda a obra de Ford se concentra no sofrimento provocado pela acção do Homem sobre a natureza. A técnica usada é a aguarela, seguindo a tradição dos gravuristas da vida animal, nomeadamente John James Audubon, o primeiro a contextualizar os sujeitos com uma narrativa:

    ('Pinned Grous', J.J. Audubon)

    O resultado final de Ford, e a sua contribuição para a História da Arte, é alcançado através da harmonização destas gravuras com o dramatismo operático do pintor neo-clássico françês, Theodore Géricault:

    ('The Raft of the Medusa', Theodore Géricault)

    O resultado parece-me muito interessante, não só pela contemporâneadade do tema mas sobretudo pelo meu próprio fascínio pela vida animal. Tal como Ford que passou a infância a observar as gravuras de Audubon, também eu passei a minha acompanhado do Fábulas de La Fontaine que o meu avô me ofereceu. Esse fascínio pela magia da natureza reencontra-se agora com estas imagens.

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