Na noite passada, entre as 11:44 da noite e as 04:45 da manhã, Barack Obama, actual Comandante Supremo das Forças Armadas norte-americanas, esteve na base aérea de Delaware para prestar homenagem a 18 soldados americanos caídos esta semana no Afeganistão. Durante cerca de 15 minutos, o novo Nobel da Paz permaneceu em continência, enfrentando o frio de uma noite outonal, enquanto decorria a cerimónia de transladação dos corpos para carrinhas funerárias, designada por 'dignified transfer'. Há apenas algumas semanas, porém, esta imagem não poderia ter sido registrada. Com efeito, a fotografia deve-se à recente revogação de uma lei, com mais de 18 anos, que proíbia a captação de fotografias de caixões de soldados americanos no regresso aos EUA. A lei agora em vigor, permite que os caixões sejam fotografados desde que as famílias dos soldados o permitam. Neste caso, das famílias dos 18 soldados mortos, apenas a do Sargento Dale R. Griffin, 29 anos, de Indiana, o consentiu. E assim, a imagem do seu caixão coberto por uma bandeira, chegou às capas de jornais em todo o mundo esta quinta-feira de manhã. Não porque o seu corpo seguia dentro do caixão, nem porque Outubro de 2009 foi o mês mais sangrento para as tropas americanas no Afeganistão desde o início da ofensiva em 2001.
A verdade é que a fotografia serve um propósito valioso ao Presidente norte-americano: o de provar ao público americano que está consciente dos custos da guerra, numa altura em que estará prestes a anunciar o reforço do contingente no Afeganistão. A comprovar esta intrepretação, ficaram as palavras do assessor de imprensa de Obama, Robert Gibbs, um dos poucos funcionários da Casa Branca a acompanhá-lo nesta missão nocturna, que afirmou que o Presidente estaria a concluir a sua decisão sobre o envio de mais tropas para o Afeganistão. Mais tarde, adicionou: 'A tarefa mais dura que ele (Obama) tem de fazer em qualquer dia é assinar a carta de condolências para aquele que perdeu um filho, ou uma filha, um marido, ou uma mulher, no Iraque ou no Afeganistão, ou a servir o nosso país noutro qualquer local ultramarino.'

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