Da espontaneidade nasceu o momento.
Tínhamos acabado de entrar na vila pescatoria de Batroun, outro cabo a norte de Beirute, quando o Deen se lembrou de telefonar a sua dentista e senhoria (uma combinação que, de resto, me pareceu pouco recomendável). Tama, pertence à comunidade arménia do Líbano, e tem um pequeno apartamento em Batroun, para onde se retira quando o corre-corre de Beirute se torna insustentável. Para nossa sorte, calhou neste dia quente mas lacrimoso de fins de Fevereiro estar em Batroun e ter a amabilidade de nos convidar para um café em sua casa.
A casa de Tama é um paraíso para os que, como eu, são eternamente atraídos pela vertigem longitudinal do mar. Localizada num edifício em pedra do centro histórico de Batroun, junto da igreja matriz da cidade, a casa beneficia de uma varanda generosa sobre as ruelas empedradas, mas sobretudo, sobre o mar que se insinua a distancia num azul profundo. A casa propriamente dita reteve os traços principais da arquitectura, nomeadamente três janelas de vidros coloridos (do género vitrais, porem os vidros são maiores) e as paredes em pedra que se encontram no tecto em arcos quebrados.
Entretanto, chega o cafe e da conversa sobre a nossa passagem pelo Líbano, passamos rapidamente para a temperatura do mar, a comida levantina, e, finalmente, o almoço. Tinhamos planeado seguir para Tripoli, mas a varanda de Tama em Batroun revelou-se demasiado apetitosa. O almoço, gozado num restaurante um pouco mais abaixo, observado os peixinhos numa baia de águas turquesas, consistiu em atum cru com molho de sésamo e gengibre e durou o resto da tarde. Certamente, a não esquecer.
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