Os dias em que atravessamos fronteiras sao invariavelmente os mais arduos. Este, embora nao tao cansativo como aquele dia em que cruzamos a fronteira entre o Libano e a Siria, nao fugiu a regra.
Partimos de Damasco de manha cedo num taxi com destino a estacao de autocarros. Pelo caminho, encetamos conversa sobre politica com o taxista, por sinal um muculmano casado com uma crista. Diz-nos que na Siria apenas os Israelitas nao sao bem vindos (uma ideia, alias, ecoada por todos os locais pelos quais passamos ate agora). Talvez mais curioso foi partilhar connosco que nao existe nenhuma diferenca entre Bush e Obama. Perguntei-lhe se nao tinha ficado impressionado pelo discurso de Obama no Cairo. 'Nao. Ele continua a defender os interesses das mesmas pessoas.'
Entretanto, entramos numa especie de via rapida e, em pleno movimento, comecamos a receber propostas de taxistas para nos levar para Amma ou Beirute. O primeiro quer demasiado dinheiro, o segundo aceita levar-nos ate Amman, com paragem no Teatro Romano de Bosra, por uma quantia razoavel. Aceitamos. Fazemos a transicao de veiculos ali mesmo na estrada. Uma hora mais tarde, estamos a porta do teatro. Pela primeira vez, desde do inicio da nossa viagem, somos recebidos por um bafo estival. Porem, o Teatro de Bosra vale cada gota de suor que escorremos. Acima de tudo, a dimensao e o extraordinario estado de conservacao do local deixam-nos esmagados.
Uma hora depois, seguimos viagem. Entre o meu limitado arabe e o ingles inexistente do condutor descubrimos que e palestiniano e que nasceu num campo de refugiados em Beirute, perto do aeroporto. Pelo ar com que me conta isto, temo que seja Sabra ou Shatilla (onde, em 1982, decorreram terriveis massacres que forcaram a intervencao de forcas internacionais) e termino a conversa.
A fronteira propriamente dita foi um episodio longo e intediante. Aqui, tal como na anterior fronteira, existem na realidade duas barreiras: uma para sair da Siria (em que tambem se paga) e uma para entrar na Jordania. Nesta ultima, o grau de controlo e bastante mais elevado, consistindo de numa revisao completa dos veiculos (durante a qual, um militar desce a um buraco na estrada para verificar a parte de baixo), das malas (as nossas, talvez por sorte, nao foram abertas) e dos passageiros (controlo demorado dos passaportes).
Finalmente, entramos na Jordania. A primeira impressao e de enorme contraste com a Siria: temperatura mais alta, paisagem mais arida e amarela e menos imagens do chefe de Estado. Ajuda tambem que o Rei Abdullah II tenha um ar bem mais simpatico do que infezado Presidente da Siria, Bashir Al-Assad.
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