Antes de aqui estar, a associacao mais proxima ao nome Palmyra (exceptuando, claro, a derivacao portuguesa Palmira) era de um bar de dancas no ventre no Cairo que acabou por se demonstrar um tenebroso bar de alterne. Nao era, pois, uma ideia positiva.
Palmyra, a cidade, esteve prestes a ser enfiada no mesmo saco. Ao contrario de muitos outros locais na Siria, Palmyra, a cidade, vive da memoria de tempos passados – dos dias em que era um mitico oasis do deserto, um estrategico intreposto da rota das sedas e da sua proeminencia na arquitectura admnistrativa do Imperio Romano. Hoje, porem, Palmyra, a moderna, e uma teia de aranhas no meio do nada a espera de devorar os touristas que pousam nela. Um desses locais onde todos os estranhos estao destinados a ser maltratados.
Para nos, a coisa foi pior porque nao haviam taxis 'oficiais' na paragem do autocarro, pelo que tivemos de atravessar de uma ponta a outra da cidade com as mochilas as costas (pelo menos, era o final da tarde e sol do deserto foi manso connosco). Finalmente, depois de chegados ao hotel, sentamos-nos a descansar as pernas na esplanada do hotel a beber o 'welcome tea'. Foi quando reparamos nos grupos de pessoas que seguiam para as ruinas com sacos de plastico. Fazia noite. Lembramos-nos entao que as ruinas estao abertas 24 horas (a excepcao de dois templos, a entrada e livre) e que talvez estas pessoas fossem fazer picnics.
Sem demoras, compramos dois falefs e partimos em direccao ao clarao no meio do deserto. A medida que nos aproximavamos os cortornos das colunas, dos capiteis e das paredes dos templos tornavam-se cada vez mais perceptivos, como se nos encaminhassemos para uma miragem no deserto. Apenas esta nao era uma miragem. Era uma gigantesca cidade romana, resgatada das areias que, precisamente, tinham permitido a sua conservacao ao longo de quase dois milenios. Dos outros grupos, mais nao vimos. Estavamos em extase como na presenca de algo divino, caminhando aos zig-zags para evitar embater em qualquer pedaco da historia, guiados pelas luzes dos holofotes, mais tambem, pelo luar do deserto. Enfim, encontramos o local certo para o nosso jantar: sentados junto ao teatro, com as gigantes colunas da rua principal de Palmyra a nossa esquerda e o Templo de Bel defronte de nos. Sozinhos, a imaginar como seria a cidade. Ainda bem que tirei Palmyra do saco dos fiascos!
1 comentário:
Adorei Palmyra!
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