A Gaivota Farragulha

    quinta-feira, março 11, 2010

    Dia 14 - Dedicacao


    Damasco. Agora compreendo.

    Percorro as tuas ruas em comocao; descubro; identifico as fontes que brotaram civilazao. Provo-te, beliscas-me - esta tudo aqui, diante dos meus aqui. Como pudera eu saber, sem nunca ter estado em Damasco?

    Damasco. Conhecer-te e penetrar o coracao da humanidade. E uma voluptuosa expedicao ate a cratera de um vulcao activo. Entusiasmo-me ao constatar que ainda estao vivas as fontes, as que brotaram sangue e alma aos homens da Terra.

    Damasco. Tua dimensao e vertical, atravessa as pedras da historia. Substrato sobre substrato. Apenas tu poderias conceber uma mesquita*, onde outrora fora uma basilica de Sao Joao Baptista, onde antes fora templo romano ao Deus Jupiter, e onde ainda primeiro fora um templo pagao dos Arameus. Como partida ou eterna recordacao da efemeridade humana, deixaste-se vestigios de cada uma destas transicoes. Mas que delicia!

    Damasco. Mais nao conseguiria escrever sem ferir a tua dignidade. Resta-me apenas o contento de um dia, tao cedo, ter-te conhecido e percebido mais qualquer coisa sobre a vida. Obrigado.


    * Mesquita Omaida (construida pelos Omaidas, os primeiros califas depois de Maome e os conquistadores da Peninsula Iberica em 711).

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