O Museu Nacional de Beirute e como um paciente em estado de convalescenca depois de passar as portas da morte. A doenca do Museu Nacional foi a guerra civil libanesa que durou de 1975 a 1991. Um video no interior mostra a precaria condicao do museu quando as AK-47 ‘finalmente’ se silenciaram: as colunas exteriores carcomidas por balas, as paredes (e os mosaicos que nelas estavam pendurados) esburacados por explosoes, o hall de entrada coberto de entulho e a coleccao, ou o que restava dela depois de saqueada e vandalizada, submersa em agua na cave. Felizmente, no inicio da guerra, os curadores do museu tiveram a previdencia de guardar os maiores artefactos (sarcofagos egipcios, tumulos bizantinos, estatuas romanas, entre outros) dentro de caixotes de cimento armado. Gracas a este esforco, assim como um meritorio trabalho de restautracao, o Museu Nacional de Beirute apresenta-se hohje de novo como o louvavel depositorio da historia deste territorio. Nao deixa, porem, de ser um espectaculo bizarro admirar tao valiosas antiguidades num edificio, ele proprio, marcado pelas vissicitudes da historia.
Partimos em direccao ao centro atraves da via que um dia albergou a Green Line – principal frente de batalha durante a guerra civil, que separava Beirute Ocidental (muculmana) de Beirute Oriental (crista). Curiosamente, porque iamos esfomeados, penetramos pelas arterias de Beirute Oriental no encalce de algum local que oferecesse comestiveis. Porem, sendo um domingo, encontramos tudo encerrado. Tentamos entao Beirute Ocidental, onde nos deparamos com uma cidade eferverscente (o fim-de-semana arabe e de sexta a sabado). Em muitos outros sentidos, tal como neste exemplo, Beirute continua a ser uma cidade profundamente dividida.
Essa sera, pelo menos, uma das percepcoes mais fortes que levamos desta fantastica cidade. A outra impressao incontornavel e do constante rebulico, da agitacao e da instabilidade. Jantamos em casa com amigos e assim nos despedimos de Beirute. Decidimos pois, fazer a primeira alteracao no nosso percurso e partir mais cedo do Libano em direccao a Aleppo (norte da Siria). Amanha, comeca a verdadeira aventura levantina.
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