Antes de mais, devo-vos uma explicacao pelo atraso na publicacao deste relato, assim como do ultimo (do qual, apenas aparecia no blog o titulo ‘Dia 7 – Beirute, Cidade Dividida’). A verdade e que nao vos escrevo de um pais livre. Ambos estes textos foram apagados no momento da publicacao – nao devido ao seu conteudo, mas simplesmente pela dificuldade lacunas do sistema de censura deste pais para que consiga publicar estes dois textos agora: e que, em alguns internet cafes, embora nao consiga aceder ao meu blog, consigo publicar. Ou seja, e permitido escrever, mas nao ler. Sao os caminhos turtuosos da liberdade de expressao na era da informacao.
Mas vamos ao que interessa: a viagem de Beirute ate Hama. E que viagem! De autocarro ate Tripoli (norte do Libano), de taxi atraves da fronteira ate a uma saida da auto-estrada, da taxi montanha acima ate ao magnifico Krak des Chevaliers (um castelo contruido no sec. XII pelos Templarios, que um dia TE Lawrence chamou ‘o mais perfeito castelo do mundo’ e que tem a poetica particularidade de nunca ter sido conquistado), almoco e visita rapida ao castelo, de novo montanha abaixo ate a estrada, de boleia (paga) ate Homs, de minibus ate Hama e, finalmente, de taxi ate ao hotel. Para mais tarde contar, ficam muitas peripecias e sobressaltos (Onde esta a minha mochila? O que queres da minha ‘mulher’? Onde estao os nossos passaportes?), muita discussao em arabe, ingles e frances a mistura e alguma vigarice (a comecar pelo oficial de fronteira que nos levou 10 dolares a mais pelos vistos). Enfim, exaustos mas bem chegados.
Todavia, apesar destes precalcos e da austeridade espelhada na cara do lider (replicada por todo o lado), descobrimos um pais mais tranquilo, hospitaleiro e homogeneo do que no Libano. A marca mais evidente da distincao esta na paisagem. Depois de atravessarmos a cordilheira do Monte Libano, mergulhamos numa verde planicie de vegetacao rasteira. As colinas suaves, as oliveiras e, sobretudo, o espaco, suscitam-nos a ambos a recordacao do portugues Alentejo – com a diferenca deste vale do rio Orontes ser mais densamente populado. Em Hama, o constraste torna-se indubitavel. Os edificios escangalhados, os posters dos militantes e os jipes de vidros fumados deram aqui lugar a ruas de comercio honesto, onde homens e mulheres, velhos e novos, se cruzem com familiariedade. Apetece conhecer esta Siria.
1 comentário:
Ao oitavo dia já parecem ter passado semanas... pelo menos para quem "ouve" deste lado os relatos!
Tantas aventuras, tanta diversidade! Estou ansiosa por ver essa foto-reportagem!
Mts bjs para os viajantes
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