Esta semana, o encontro de 2000 ambientalistas ('climate scientists') em Copenhagen foi largamente ignorado pela imprensa internacional. O evento, organizado fora de qualquer agenda política, teve um duplo signficado para o nosso futuro. Em primeiro lugar, foram apresentados dados sobre a alteracao climatérica num ambiente de liberdade e honestidade ciêntifíca que porventura nao seria possível caso estivessem presentes dignatários políticos. Assim surgiu, por exemplo, a revelacao de que o nível das águas do mar está a subir a uma velocidade mais acelarada do que antes esperado. Em segundo lugar, o congresso, que se insere no programa da futura Conferência Internacional sobre a Alteracao Climatérica em Dezembro de 2009, veio preparar trabalho para esse momento definidor . O empenho de Barack Obama em liderar a revolucao ecológica do séc. XXI tem levado vários comentadores a anticipar para o final do ano o renascimento do Tratado de Kyoto, talvez num novo enquadramento, mais forte e completo. Por isso, convido-os a manter em vista o site da conferência (http://en.cop15.dk/), o blog (http://copenhagenclimateagreement.blogactiv.eu/) e já agora que estamos neste tema, a vossa pegada de carbono (http://footprint.wwf.org.uk/). A Gaivota Farragulha
quarta-feira, março 11, 2009
A Conferência da Década
Esta semana, o encontro de 2000 ambientalistas ('climate scientists') em Copenhagen foi largamente ignorado pela imprensa internacional. O evento, organizado fora de qualquer agenda política, teve um duplo signficado para o nosso futuro. Em primeiro lugar, foram apresentados dados sobre a alteracao climatérica num ambiente de liberdade e honestidade ciêntifíca que porventura nao seria possível caso estivessem presentes dignatários políticos. Assim surgiu, por exemplo, a revelacao de que o nível das águas do mar está a subir a uma velocidade mais acelarada do que antes esperado. Em segundo lugar, o congresso, que se insere no programa da futura Conferência Internacional sobre a Alteracao Climatérica em Dezembro de 2009, veio preparar trabalho para esse momento definidor . O empenho de Barack Obama em liderar a revolucao ecológica do séc. XXI tem levado vários comentadores a anticipar para o final do ano o renascimento do Tratado de Kyoto, talvez num novo enquadramento, mais forte e completo. Por isso, convido-os a manter em vista o site da conferência (http://en.cop15.dk/), o blog (http://copenhagenclimateagreement.blogactiv.eu/) e já agora que estamos neste tema, a vossa pegada de carbono (http://footprint.wwf.org.uk/). segunda-feira, março 09, 2009
O Efeito Wonder
O teste de forcas para o senhor Wonder foi logo na passada noite de quinta-feira, no jantar de desaceleração semanal com a minha madame. A música serviu de banda sonora a um caril de peixe (que quase ficou pelo caminho devido a uma falha da electricidade) e um vinho 'especial' que comprei para a ocasião. As canções lá foram tocando e devo confessar que, no começo, ambos ficamos um pouco desconfortáveis com a musicalidade lamechas, estilo balada 'à lá' anos oitenta, de temas como 'My Cherie Amour,' 'For Your Love' e 'I was made to love her'. Porém, à medida que a noite foi progredindo e a garrafa de vinho foi esvaziando, o som de Wonder ocupou a sala e cozinhou o ambiente para um belíssima noite a dois em casa.
Alentado pelo sucesso da minha selecção musical, decidi copiar as canções para o meu Ipod e trazer a música para a rua. Aqui, é importante explicar que, na caminhada diária até ao emprego, andar com os auscultadores nos ouvidos é o equivalente a estar dentro dos reluzentes BWMs e Minis que passam ao meu lado na rua, de vidros fechados, a ouvir música no máximo volume. Há dias em que a escolha musical pende para o Brasil, geralmente com o Seu Jorge ou a Elis Regina; outros em que se concentra no rock, a Icky Thump dos White Stripes são um most nos dias de chuva ou no final de um mau dia; e outros ainda que são para a palhaçada, em que o shuffle tanto pára no Pavarotti como nos Heróis do Mar. Mas, desde que comecei a ouvir o Senhor Maravilha, a minha viagem mudou.
O hino das 9.00 da manha é dado pelos sons combativos de 'Higher Ground'. Se passarem por mim a essa hora são capazes de encontrar um maluquinho de guarda-chuva em riste a cantar aos berros: 'People keep on learning, soldiers keep on warring, world keep on turning - cause it won't be too long.' Infelizmente, o efeito Wonder não se fica só pela cantoria, e lá para a terceira canção há fantasias de que, qual Shaft, acabo de sair das ruas perigosas do Porto para fazer justiça no Parlamento Europeu, e três shaftettes na minha cabeça sussurram o slogan: 'Diogo is his name. Diogo is his game.' Pior, aos primeiros acordes de 'Master Blaster', com a sua batida cálida de reagge, há mesmo um bater de perna, mesmo que esteja na passadeira à espera que caía o verde para peões, rodeado por outros transeuntes que também caminham para o emprego. Mas a música está tão forte que eu, indiferente a olhares um tanto ou quanto assustados, sigo pela rua num gingar desajeitado que rivaliza com o Ministry of Silly Walks de John Cleese e chego aos píncaros da alegria matinal com o compasso ritmado de 'Part-time Lover.'
A viagem está quase a acabar mas ainda há tempo para mais uma música, a última para ficar pronto e empacotado para mais um dia de trabalho e não há dúvidas que esse tempo de antena, esse derradeiro momento de good-feeling, pertence a uma só música: 'Signed, Sealed, Delivered, I'm Yours.' E assim lá vou eu, na subida para a porta do Parlamento, a quebrar a atmosfera sisuda de Bruxelas, dos que encaram a manha de segunda-feira com o pescoço curvado e os olhos no chão, com um sorriso enorme da cara e a festa do efeito Wonder a 'bombar' dentro a minha cabeça. Não tenho dúvidas que quem se cruze comigo me considere um tudo-nada deslocado da realidade, mas esse pequeno sacrifício da imagem é inteiramente justificado por um melhor início da semana. Enfim, acho que basta ler as duas primeiras estrofes de 'Master Blaster' para perceberem de que estou a falar:
'Everyone's feeling pretty
It's hotter than July
Though the world's full of problems
They couldn't touch us even if they tried
From the park I hear rhythms
Marley's hot on the box
Tonight there will be a party
On the corner at the end of the block
Didn't know you
Would be jammin' until the break of dawn
I bet nobody ever told you that you
would be jammin' until the break of dawn
You would be jammin' and jammin' and jammin', jam on''
Boa semana!
sábado, março 07, 2009
Passou-se ontem no Parlamento Europeu
Hillary Clinton deu ontem um enorme 'boost' ao Parlamento Europeu ao escolher fazer lá a sua primeira aparição na Europa como Secretária de Estado Norte-Americana. Foi numa sessão chamada 'The Next Generation' em que participaram 800 jovens de toda a Europa. Eu não estava nesta sala - apenas convidados - mas não andava longe. Este foi talvez o momento mais curioso de toda a conferência: a sessão de perguntas já tinha acabado, mas Hillary decidiu dar a palavra a um rapaz que dizia na t-shirt 'I love Hillary'. Eis senão quando reparo que uma compatriota nossa estava sentada ou lado dele - Joana diz-lhe que os Portugueses estão aqui!
sexta-feira, março 06, 2009
A Crise Californiana e a Revolucao Ecológica
(Mapa interactivo no New York Times: http://www.nytimes.com/interactive/2009/03/03/us/20090303_LEONHARDT.html)A revelação, esta semana, de que a economia americana continuou a deteriorar-se nos meses de Janeiro e Fevereiro, lembrou-me imediatamente deste mapa com as taxas de desemprego nos EUA. O que mais me impressionou nele foi a evidência de que a crise nao afecta os EUA como um todo, mas sim alguns 'pockets', nomeadamente na costa ocidental, no sudoeste e à volta de Detroit, em Michigan. Na verdade, ao longo das últimas semanas tenho vindo a ler mais e mais notícias acerca das consequências da crise na California, a oitava maior economia mundial.

quinta-feira, março 05, 2009
terça-feira, março 03, 2009
Um Karma para o Século XXI

John Maeda estava ainda a fazer o doutoramento em Web Design no MIT quando se apercebeu que a procura pela simplicidade estava a mudar a nossa vida. Como o próprio explica no prefácio deste livro curioso, The Laws of Simplicity, a vantagem do Ipod em relacao a outros MP3 Players mais baratos e com mais funcoes era o seu mecanismo simples e acessivel a todos. Essa simplicidade está patente em muitas outras histórias de sucesso da nossa era como o Google e as sucessivas versoes do Windows. Desde modo, o autor decidiu estabelecer as 10 regras de simplicidade que devem nao só orientar investimentos nas novas tecnologias, mas também a nossa vida quotidiana. Aqui ficam essas 10 regras assim como o link para o seu blog: www.lawsofsimplicity.com:
1 - Reduce: The simplest way to achieve simplicity is through thoughtful reduction.
2 - Organize: Organisation makes a system of many appear few.
3 - Time: Savings in time feel like simplicity.
4 - Learn: Knowledge makes everything simpler.
5 - Differences: Simplicity and complexity need each other.
6 - Context: What lies in the periphery of simplicity is definitely not peripheral.
7 - Emotion: More emotions are less than none.
8 - Trust: In simplicity we trust.
9 - Failure: Some things can never be made simple.
10 - The One: Simplicity is about subtracting the obvious and adding the meaningful.
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
O Caozinho Feio
Lembro-me de pensar que o Cao de Água Português era sinceramente feio. Logo à primeira vista, o animal tinha uma embaracosa parecenca com o Caniche, Poodle ou ainda Rei dos Caes Tenebrosamente Horríveis Adquiridos por Pessoas de Gosto Dúvidoso com Ambicoes Sociais Optimistas - agora destronado pelo Chihuhuahua (a ideia deixou de ser: 'a minha casa é tao linda que ate tem uma sanita de mármore com um belíssimo assento de pelúcia', para ser: 'estar acompanhado de um animal tao feio, faz-me parecer bonito(a)'. Antes fosse que esse tipo de projeccoes influenciasse a forma as mulheres escolhem um homem do que um cao... mas enfim, representacoes do animal enquanto extensao capilar das próprias donas prejudicou fatalmente a minha opiniao sobre o dito bicho. Mais a mais, essa semelhanca física nao era suficientemente próxima para revelar algum digno grau de parentesco entre as duas racas, de modo que o Cao de Água Português se apresentava quase sempre como a versao rasca do segundo, como o primo mal-vestido e mal-educado, filho DAQUELA tia que se infiltrou na família, e que geralmente fica sentado a um canto nos casamentos. Acima de tudo, o Cao de Água Português sofria dessa grande mal que era ser Português, facto que, para pior dos males, nao podia esconder visto constar do seu próprio nome, e que o tornava indesejável aos olhos de muitas boas e nobres famílias. Moral desta digressao aparentemente lunática sobre um tema absolutamente supérfluo: hoje é o Cao de Água, ontem foi o Ronaldo, o Mourinho, o Pedro Pinto, a Paula Rego, o vinho do Porto - os portugueses ainda precisam da aceitacao exterior para aprovar e admirar o que é seu. Apenas porque foi votado ao abandono, é que o Cao de Água Português, um animal que carrega o legado da cultura pescatória portuguesa, se tornou no objecto de mau gosto de pessoas em outros locais do mundo. Pessoas essas que, apesar de tudo, o amaram e preservaram a raca. É por isso que sinto uma certa revolta quando os meios de comunicacao Portugueses se vanglorizam agora com o facto do Cao de Água Português ser o First Dog da era Obama.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
Taking the Slum out of 'Slumdog'
Agora que o filme foi finalmente consagrado com oito (!) Oscars, podemos concentrarmos-nos na temática e controvérsia gerada em torno do mesmo. Neste artigo, publicado ontem no The New York Times, Matias Echanove and Rahul Srivastava, membros da organizacao 'Partners for Urban Knowledge Action and Research', escrevem sobre o que entendem ser uma perspectiva ocidental sobre uma realidade intrinsicamente oriental. Na verdade, mais do que representar uma tragédia humana como muitos ocidentais insistem, os 'subúrbios' de Bombaim sao, para muitos Indianos (e falo de experiência própria pois, já em 2005 quando estive na India, ouvi estas ideias) exemplos da 'Indian Beauty'. Talvez será mais fácil compreender esta ideia se nos lembrarmos das divertidas descricoes de Jorge Amado sobre as favelas do Brasil, tao repletas de vida como geniais do ponto de vista urbano. Ou como canta Seu Jorge: 'A favela, nunca foi reduto de marginal':

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terça-feira, fevereiro 17, 2009
Afogar as mágoas japanese-way
O ministro da economia japonês foi hoje forcado a apresentar a demissao apos a suspeita de que estaria bebado na conferência de imprensa da reuniao do G7. Embora Shoichi Nakagawa tivesse admitido que o seu estado fosse improprio para a ocasiao, manteve que nao se deveu ao consumo de alcool. Segundo o propio, terao sido os varios comprimidos que consumiu nessa manha os responsaveis pela 'oura'. De uma maneira ou de outra, ficamos com uma ideia bem tremida do que terao sido as discussoes sobre a crise economica...
domingo, fevereiro 15, 2009
(Nearly) nothing to fear but fear itself, por Olivier Blanchard
Num artigo publicado há duas semanas na revista The Economist, o distinguido professor de macro-economia do MIT e economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, oferece-nos um visão clara e pertinente sobre a presente crise económica:It affects portfolio decisions. It has led to a dramatic shift away from risky assets to riskless assets, or at least assets perceived as riskless. It sometimes looks as if investors around the world only want to hold American Treasury bills. Why? At the start was the realisation that many of the new complex assets were in fact much riskier than they had seemed. This realisation has now morphed into a general worry about nearly all risky assets, and about the balance-sheets of the institutions that hold them. “Better safe than sorry” is the motto. Unfortunately, while the motto may make sense for individual investors, it is having catastrophic macroeconomic consequences for the world. It is triggering enormous spreads on risky assets, a credit crunch in advanced economies, and major capital outflows from emerging countries.

Third, undo the effects of the wait-and-see attitudes of consumers and firms on the demand side. Get them to spend more, and have the state do some of the spending itself. Offer incentives to buy now rather than later; for example, temporary subsidies to consumers who turn in a clunker and buy a new car, a measure adopted in France. Increase spending on public infrastructure, a central component of President Barack Obama’s programme. Both types of measures are indeed present in the fiscal programmes more and more countries are putting in place. If tailored and communicated well, these programmes cannot only stimulate and replace private demand, but also convince consumers and firms that they are not in for another Depression. This will ensure that they stop waiting and start spending again.
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Ou a Paz pela Guerra (Segunda Parte)


segunda-feira, fevereiro 09, 2009
F.C.Porto 1 - 1 Benfica: Portistas seguram liderança com um penálti falso
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
A Natureza como Arte
('Pinned Grous', J.J. Audubon)O resultado final de Ford, e a sua contribuição para a História da Arte, é alcançado através da harmonização destas gravuras com o dramatismo operático do pintor neo-clássico françês, Theodore Géricault:
('The Raft of the Medusa', Theodore Géricault)
O resultado parece-me muito interessante, não só pela contemporâneadade do tema mas sobretudo pelo meu próprio fascínio pela vida animal. Tal como Ford que passou a infância a observar as gravuras de Audubon, também eu passei a minha acompanhado do Fábulas de La Fontaine que o meu avô me ofereceu. Esse fascínio pela magia da natureza reencontra-se agora com estas imagens.
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
As melhores notícias 'não-essenciais' desta segunda-feira
'Children paying price for adults' pursuit of success, report says', The Guardian:
http://www.guardian.co.uk/society/2009/feb/02/children-wellbeing-success
'Oscar race: Pitt vs Penn', CNN:
http://edition.cnn.com/video/#/video/showbiz/2009/02/01/namdar.glass.house.cnn
'Telmo Moreira ganha prémio do público no Prix de Lausanne', Público:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1358378
'Le père des Playmobile est mort', Le Monde:
http://www.lemonde.fr/societe/article/2009/02/02/le-pere-des-playmobil-est-mort_1149853_3224.html
'Chavez celebra 10 años en poder...y va a por más', El País:
http://www.elpais.com/articulo/internacional/Chavez/celebra/anos/poder/va/elpepuint/20090202elpepuint_11/Tes
'El sufrimiento y las bellas artes'. El País:
http://www.elpais.com/articulo/deportes/sufrimiento/bellas/artes/elpepudep/20090202elpepidep_30/Tes
'Mau tempo estraga Molhes do Douro', TVI (!):
http://www.tvi.iol.pt/informacao/noticia.php?id=1038922
'In Bolivia, a tight grip on the next big resource', New York Times:
http://www.nytimes.com/2009/02/03/world/americas/03lithium.html?_r=1&hp
'Sonntag: The Precocious Years', New York Times:
http://www.nytimes.com/2009/02/01/books/review/Sante-t.html
'A distania Reuters acabou, mas a agência continua a dar notícias, incluindo esta', Público:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1358449
quarta-feira, janeiro 28, 2009
Velocidade global

terça-feira, janeiro 20, 2009
Um dia na história

terça-feira, janeiro 13, 2009
A Guerra pela Paz
Hoje, enquanto a ofensiva israelita prossegue sobre a cidade de Gaza e o número de mortos palestinianos se encavalita sobre o milhar, parece-me que a memória desse fracasso está mais viva do que nunca entre o dito 'campo de paz'. Se é certo que a presente operação é descendente directa da guerra fria entre Tel Aviv (e Washington) e Terão e da desastrosa invasão do Líbano em 2006, é também indiscutível que a ofensiva de Gaza representa uma última tentativa de evitar o fracasso de mais um processo de paz. Lançada em 2007 na conferência de Annapolis por George W. Bush e Condolezza Rice, a iniciativa de paz tinha como objectivo a concretização da 'two-state solution' para o território: aos Palestinianos caberia a responsabilidade de respeitar o direito de Israel existir, ao passo que os Israelitas deveriam criar as condições necessárias para o estabelecimento de um Estado viável na Cisjordânia ('West Bank') e na Faixa de Gaza. Apesar das óbvias reticências de ambas as partes em relação ao plano, nomeadamente a dificuldade em imaginar a viabilidade de um estado palestiniano dividido em dois e cercado por um forte aparato militar, os desejos de alcançar a paz ou de transformar positivamente a tão antiga disputa, inspirava alguma esperança. Porém, o processo de paz padecia de uma fragilidade maior, na altura salientada por alguns comentadores e especialistas na região, nomeadamente pelo meu professor.
Diriam estes que a paz não será alcançada sem o envolvimento de todas as partes, entre as quais se destacam as facções mais violentas e radicais do conflito, os ditos ‘terroristas’, nas negociações. Subentende-se, é claro, o respeito por alguns critérios mínimos para que esses grupos possam participar das negociações. Porém, a sua inclusão é essencial para o sucesso do processo, como nos demonstra o caso do IRA nas negociações de paz na Irlanda do Norte. Na teoria, esta posição tem por base três argumentos. Em primeiro lugar, salienta-se que o processo de paz visa geralmente a extinção das actividades dos chamados grupos ‘terroristas’ e não as das facções mais moderadas de cada lado. Por exemplo, no caso do conflito israelo-árabe, o processo de paz visa o fim dos ataques protagonizados pelos grupos mais radicais em Gaza e na Cisjordânia, nomeadamente pelo Hamas, e não daqueles que já aceitaram os princípios básicos de negociação – Fatah, vulgo ‘Autoridade Palestiniana.’ Em segundo lugar, a exclusão destes grupos do processo de paz irá apenas reforçar a sua motivação para continuar ou intensificar esses ataques como forma de retaliação. O já famoso desvio de fundos internacionais pelos dirigentes da Fatah justifica por si só, para a população em geral e para os excluídos em particular, a rejeição do processo. E por fim, no caso de delicados e prolongados processos de paz como é o caso do conflito israelo-árabe, de Caxemira ou do Sri-Lanka, grupos externos às negociações tendem a beneficiar, em termos de apoio popular, com o fracasso dos participantes nas negociações. Ora, estando o roteiro de paz repleto de momentos de vulnerabilidade, grupos externos irão certamente certificar-se de reduzir as hipóteses de sucesso do processo em cada um desses momentos.
quarta-feira, dezembro 10, 2008
O Elogio da Memória
quarta-feira, dezembro 03, 2008
There were five German bombers in the air...
Estas imagens são fantásticas mesmo sem comentários. Mas acompanhadas de duas preciosas informações são ainda mais engrançadas. Em primeiro lugar, é preciso mencionar que este foi um jogo 'amigável' entre políticos britânicos e alemães. E em segundo que o tractor de cabeça loira é o actual e controverso Mayor de Londres, Boris Johnson. Porventura pouco conhecido para além das praias da Grã Bretanha, Johnson é membro do partido conservador, ex-editor da revista ultra-conservadora 'The Spectator'. Mais recentemente, Johnson atraiu atenções por dizer que o povo britânico tinha-se tornado demasiado sentimentalista na sequência de demonstrações públicas de solidariedade com um refém no Iraque. 'Nothing like the good ol' days of the blitz, hein!?!'
domingo, novembro 30, 2008
sexta-feira, novembro 28, 2008
Toma!
Vi este video no site do Publico e achei hilariante. Acho demais a forma meia desfarçada como ela entorna o copo...e ele também não perde tempo em responder. Isto passou-se na Roménia. Vai daí tive a ideia de publicar aqui no blog as imagens mais engraçadas da política. Portanto, mais virao.
segunda-feira, novembro 17, 2008
Bem-vindos ao Inferno!

Novos blocos, ainda por habitar.
Area dos recém-chegados.


Pós altercamento. Não dá para ver na fotografia mas há um homem deitado no chão. Quando nós chegamos, ele estava no portão (assim como muitos outros) a tentar entrar no complexo para se queixar de um mal de saúde. Aparentemente, depois do nosso jipe ter entrado, houve uma discussão entre os polícias e a multidão e este homem acabou por ser socado, incitando uma luta entre todos que tive oportunidade de assistir deste lado das sebes e grades. No momento aqui retratado, os oficiais do campo começaram a perceber que algo estava mesmo mal com este homem pois ele não se levantava. Acabaram por chamar uma ambulância para leva-lo ao hospital. O resto já não sei...
quarta-feira, outubro 29, 2008
As eleições por um binóculo

quinta-feira, outubro 16, 2008
terça-feira, outubro 14, 2008
Shibam, Thula e Kawkakan

Plantacao de Qat:

Bem, queria por mt mais fotografias aqui mas a net e mesmo lenta e n consgui. Mas entretanto, devido a situacao de seguranca, decidi trabalhar em casa e vou arranjar net em casa portanto pode ser q consiga qlq coisa mais rapida. Logo que puder, ponho mais fotos. Ate breve!
quinta-feira, outubro 02, 2008
Yemen Surreal
10 - Qat: O vicio nacional. O qat e uma planta que se masca (tipo folha de coca) e que nao tem efeitos "psico-tropicos," nem provoca dependencia. Resulta meramente como um estimulante leve que pode tambem ajudar a suprimir a fome. A grande maioria dos yemenitas comeca logo a mascar a meio da tarde, alguns logo a seguir ao almoco - nao se celebram negocios sem mascar qat. Ao longo do dia e da noite, vao formando um residuo das folhas mascadas numa bochecha, que vai crescendo ate formar uma enorme bola de um dos lados da cara. Por volta das 10 da noite, as ruas estao cheias de qat porque os yemenitas apenas mascam as folhas mais jovens, e deitam tudo o resto fora.







quarta-feira, setembro 17, 2008
A lista negra
1 - Somália;
2 - Sudão;
3 - Zimbabwe;
4 - Chad;
5 - Iraque;
6 - República Democrática do Congo;
7 - Afghanistão;
8 - Costa do Marfim;
9 - Pakistão;
10 - República do Centro Africano;
11 - Guiné;
12 - Bangladesh;
13 - Burma;
14 - Haiti;
15 - Korea do Norte;
16 - Uganda;
17 - Etiópia;
18 - Lebano;
19 - Nigeria;
20 - Sri Lanka;
Para quem quiser ver o resto da lista, que conta ainda com Timor-Leste, Guiné-Bissau, Angola:
http://www.foreignpolicy.com/images/fs2008/failed_states_ranking.jpg
terça-feira, setembro 02, 2008
Fim de férias

segunda-feira, agosto 18, 2008
sábado, agosto 16, 2008
Bush começa a marcha de despedida
Esta é apenas uma pequena parte de uma entrevista gravada na segunda-feira. Vi a entrevista pouco depois de ser transmitida em directo pela NBC e, desde logo, identifiquei um discurso de um politico a procura de redenção antes de abandonar o palco (tal como Tony Blair). Nesta fase, o Presidente ainda estava bastante ao ataque (com comentários como "I told Putin this violence was unacceptable."), mas mesmo assim sobresaem algumas manobras demagogia ("I dont see America having problems." e "If you are a religious person, you understand that once religion takes hold in a society it can't be stopped"). Mas à frente, Bush mostra-se mais relaxado e diz tentar colar-se ao sucesso das equipas olimpicas norte-americanas (nomeadamente a de Basketball, o que nao deixa de ser interessante...). Infelizmente, julgo que muitos americanos e não-americanos, ainda vão ter saudades dos dias em que os EUA tinham um líder tão na sua dominância global. Se conseguirem encontrar a entrevista toda, vale a pena.
quinta-feira, agosto 14, 2008
Os donos da Guerra

quarta-feira, agosto 06, 2008
A série dos casamentos











