"E ao 3.o dia Deus deu-nos humor como deve ser: mal--comportado", Rui Zink. Os outros que se acautelem...
"E ao 3.o dia Deus deu-nos humor como deve ser: mal--comportado", Rui Zink. Os outros que se acautelem...

Foi precisamente às 12h43 de quinta-feira, 3 de Setembro de 2009. José Sócrates perdeu as eleições legislativas. Foi pois nesse exacto instante que Portugal ficou a saber, através da edição online do Público, que a Prisa, grupo espanhol administrador da Media Capital, suspendeu o Jornal Nacional da TVI de sexta-feira. A decisão levou à demissão em bloco da direcção de informação, cuja subdirectora era a pivot desse telejornal, a controversíssima Manuela Moura Guedes. Ao longo de ontem e da manhã de hoje, seguiram-se especulações e revelações, assim como declarações de vários intervenientes públicos. Uns dizem que é testemunho à práctica de ‘asfixia democrática’ pelo governo, outros que “é um acto socialista, com um aliado socialista que é a Prisa”, outros que é “um escândalo do ponto de vista político, empresarial e da liberdade de expressão”, que é “estúpido e inoportuno”, “absolutamente inaceitável” ou que é “difícil perceber a inteligência desta decisão.” Uma coisa é certa: o grande lesado desta história é José Sócrates.
A pouco mais de vinte dias das importantes eleições, será já muito difícil afastar a imagem de falta de seriedade e respeito por princípios básicos da democracia do Primeiro-Ministro – uma ideia que aliás tinha sido escolhida (por brilhante sentido estratégico ou por mera sorte) pelo principal partido da oposição como a ideia central da sua campanha contra o governo. Num país que guarda bem viva a memória da ditadura, cuja manifestações mais evidentes eram exactamente a censura e a PIDE, atropelos sobre a liberdade da expressão provocam (e ainda bem) repugnância e ultraje geral. Neste caso, a mera aparência basta - José Sócrates tinha inclinado o caldo quando acusou, no dia 21 de Abril, o Jornal Nacional de "jornalismo travestido." A esta situação dramática acresce ainda que as três peças sobre o caso Freeport, que Manuela Moura Guedes pretendia apresentar no jornal de sexta e que alguns consideraram a origem da decisão da Prisa, ainda não foram apresentadas*. Cada dia que passa sem essas peças virem a público aumenta exponencialmente a percepção de que algo está a ser escondido dos Portugueses e de que o Governo e o PS estão de qualquer modo relacionados com esse mistério. Mais, caso essas peças venham agora a público, todos nós, mesmo aqueles que não viam e eram críticos dos telejornais apresentados por Manuela Moura Guedes, dispor-se-ão a assistir a essa tal “investigação de Verão.” Não tenho dúvidas que será o pico do timeshare em Setembro. Porém, mesmo que a qualidade e o teor das revelações seja exíguo, a todos nos relembrará que o actual Primeiro-Ministro, candidato a um novo mandato, está envolvido num processo grave de corrupção. Por muito menos do que isto, perderam-se eleições no passado deste país…
* Escrevi este texto ao início da tarde, mas entretanto tive que sair. Fiquei agora a saber que as tais peças sobre o Freeport farão parte do telejornal de hoje da TVI. Fico contente, pois acho importante para a clarificação dos cidadãos antes das eleições e incito-os a todos a vê-las também.
(As demolições sucederam a tragédia na praia Maria Luísa. Região Sul)
consequências para o turismo algarvio ou por falta de fundos? Acima de tudo, a quem cabia a responsabilidade de tomar todas estas decisões e porque não as teria tomado? Contudo, não houve perguntas. Pior, não houve quem as perguntasse. Os jornais da tarde dos canais televisivos, começaram por transmitir em directo da praia Maria Luísa, onde acorreram ‘centenas de banhistas e curiosos para prestar homenagem às vítimas do acidente.’ Como pano de fundo, desenrolava-se o ritual dos tais ‘banhistas e curiosos’ que se aproximavam das rochas – algumas ainda por desabar - armados com os respectivos telemóveis 3G para registrar o local da tragédia. Nos breves minutos em que decorreu o directo, houve até quem alinhasse a criançada junto às pedras para fazer a foto. Na SIC, o directo foi sucedido por uma reportagem gravada na praia ao longo da manhã com os ‘banhistas’ que teimavam em desafiar as leis de Newton e estender as toalhas mesmo por baixo destas arribas, alguns em cima delas. A avó com os netinhos regressava essa manhã ao seu recanto na praia, sombreado por um rochedo a meio do areal, com a fé de que ‘a tragédia não ia acontecer igual em dois dias seguidos’. O pai de família falava com autoridade de geólogo de água doce, afirmando que ‘já tinha estado ali a analisar as rochas e, apesar de uma ou duas fendas, não parecia apresentar perigo. Penso eu!’. O grupo de jovens não estava preocupado. Ponto final.
Fátima Felgueiras foi ontem absolvida de todos os crimes de que era acusada no chamado "caso do Futebol." As acusações remontam a um segundo processo judicial, sendo que no primeiro, o famigerado "caso do Saco Azul", Felgueiras tinha já sido condenada a três anos e três meses de pena suspensa. Quer isto dizer que, ao final de cinco anos de acusações e deliberações, Fátima Felgueiras acaba por não passar um único dia na prisão. Não podendo especular sobre a sua culpabilidade nos processos judiciais em que foram já julgados em tribunal - e cumpre-nos o dever de ter fé na imparcialidade e mérito deliberativo deste - podemos apenas perguntar-nos como é possível que alguém que fugiu, tão cabal e publicamente, à justiça, possa evitar a prisão? Pelo menos um crime ela cometeu. Será que a memória é curta? Ou será que persiste neste país a máxima feudal de que a justiça não se aplica a todos?
Os casos semelhantes são demasiado numerosos para contabilizarmos. Ainda ontem vi na televisão, um Vale e Azevedo gordo e sorridente a saltar para dentro de um black cab londrino depois de conseguir mais um adiamento da sua extradição para Portugal. Acima de tudo, fica um sabor muito amargo sobre o futuro dos processos da Casa Pia, do BCP, do BPN, BPP e do Freeport. Tal como o caso da ex-autarca, estes processos irão certamente arrastar-se nos tribunais até que se dilua a memória pública do crime e se invente uma forma de contornar ou manipular a lei. O que se passa a seguir é bem sabido: os réus são todos absolvidos e o crime, esse que resiste sempre às marés do tempo como uma cicatriz inapagável, morre órfão. Mas nem sequer nisto há interesse: a absolvição de Fátima Felgueiras ontem não integrou o leque de notícias que abriram os telejornais; e os governos, quer do PS ou do PSD, evitam falar sobre a urgentíssima reforma da justiça portuguesa. Isto sim, é um escândalo.
Podemos finalmente ver as primeiras imagens do último filme de Tim Burton - ‘Alice no País das Maravilhas’, com data de lançamento em Portugal marcada para Março de 2010. A história do filme é baseada no conto original de Lewis Caroll, mas segue uma linha narrativa diferente, sendo que, neste caso, Alice está mais velha e regressa ao País das Maravilhas. Porém, não se recorda de lá ter estado. Para além dos magníficos cenários (ou não se esperaria outra coisa de Burton), o filme conta também com um elenco de luxo: Johnny Depp interpreta o Chapeleiro Louco; Helena Boham Carter é a malvada Rainha de Copas; Mia Wasikowska, da série de televisão In Treatment, encarna a Alice; Anne Hathaway, a mesma do Diabo Veste Prada, é a Rainha Branca; e o genial Matt Lucas, da não menos brilhante comédia britânica Little Britain, desempenha os papéis dos gémeos Tweddle-Dee e Tweddle-Dum. Esperamos ansiosamente o seu lançamento nas salas de cinema em 3D.
Esta vai para a rifa de Verão*: qual é o elo de ligação entre Barack Obama, a Casa Branca, a indústria cinematográfica de Hollywood e a revigorante sitcom da HBO, Entourage? Bem, diriam vocês, há vários pontos de ligação a começar pela atitude cool, o sucesso, a juventude e o guarda-roupa irrepreensível das personagens em ambos os cenários. Não obstante a plausibilidade destas semelhanças, elas são porém insuficientes para estabelecer uma conexão directa entre os quatro pontos. Também não é o facto de o Entourage, como foi recentemente noticiado pelo blog Politico, ser o programa de televisão favorito do Sr. Presidente. Como bem sabemos, e as audiências comprovam, os seguidores assíduos da série são muitos e variados. Qual é então o ponto de ligação que associa directamente e exclusivamente Obama ao show Entourage?
Nada mais, nada menos do que a história de sucesso de uma família judia. Tudo começou com o encontro, nos anos 50 em Chicago, entre o pediatra Benjamin M. Emanuel e a activista social, Mascha Smulevitz. Pouco depois casaram e tiveram três filhos: Ezekiel J. Emanuel; Rahm Emanuel; e Ari Emanuel (mais tarde, os pais adoptaram uma rapariga). Sobre o pulso firme da mãe, que tanto os obrigava a ir a aulas de ballet como a participar em manifestações, os três rapazes frequentaram a Bernard Zell Anshe Emet Day School, uma escola conservadora judia, e seguiram carreiras diferentes: Ezekiel ('Zeke') tornou-se médico oncologista; Rahm estudou comunicação e mais tarde envolveu-se na política; e Ari, que entretanto foi diagnosticado com hiperactividade e dislexia, começou a trabalhar no mundo do espectáculo.

(Ezekiel, Rahm e Ari fizeram dos Emanuel uma das famílias mais poderosas dos EUA. Getty Images)
Não demorou muito até que os três alcançassem sucesso incomparável nas respectivas áreas de ocupação: Ezekiel doutorou-se em Harvard e hoje é o Director do Departamento de Bioética do National Institutes of Health e um dos conselheiros mais próximos de Obama em matéria de saúde pública; Rahm afirmou-se como estratega político, foi assessor político de Bill Clinton durante a sua presidência e hoje é o Chief of Staff de Barack Obama (cuja importância e poder mereceram-lhe o cognome de ‘the Gatekeeper’ pela revista New Yorker – basicamente ele decide o que Barack faz e com quem ele fala); e, finalmente, Ari fundou a agência de talentos Endeveour Agency e hoje é o dono da WME Entertainment, que gera receitas anuais entre 275 e 300 milhões de dólares e representa, entre outros artistas, Martin Scorsese, Charlize Theron, Jude Law, Matt Damon e Sacha Baron Cohen. Juntos eles recriam o mito do American Dream, como noutros tempos recriaram os Kennedy e os Rockfellers.
O twist final nesta história é que a personagem de Ari Gold na série Entourage é claramente inspirada em Ari Emanuel, irmão do famoso médico e do poderosíssimo assessor de Obama. Para além das claras evidências físicas e de estilo (sim, Ari ‘o verdadeiro’, é também conhecido pelo abrangente emprego do seu vasto lexico sobre a injúria), mas também pelo facto de ambos, representarem na série e na vida real, Vin Diesel e Larry, e, mais significativamente, Mark Wahlberg, o produtor da série. Dizem os rumores que foi o próprio Ari Emanuel que escolheu Jeremy Piven para o papel, alegando que não aceitaria que mais ninguém o representasse na ficção. Afinal, por aquilo que se escreve das reuniões entre os três irmãos, bem se pode imaginar Ari ‘o verdadeiro’ exclamar para qualquer um dos outros: ‘Let’s hug it out, bitch!’
* Uma vez que vivemos dias de crise, a rifa não oferece mais do que uma boleia e um gelado na praia caso se encontrem na minha área de captação. Caso contrário, vão ter com o senhor dos gelados e digam que fui eu que mandei. Pode ser que resulte!
Em 1962, numa visita oficial ao Paquistão, Henry Kissinger, quando questionado sobre a rebelião armada no Balochistão respondeu: 'I wouldn't recognize the Balochistan problem, (even) if it hit me in the face.'
Hoje, essas palavras reclamam desforra. A questão do Balochistão ainda não atingiu os EUA directamente na face, mas está cada vez mais perto disso, tendo já, por diversas vezes, tido oportunidade de deferir golpes indirectos sobre a política da região. Como foi referido anteriormente neste blog, o povo do Baluchistão, os Baloches, identificam-se como um grupo étnico (na sua larga maioria, Sunis Muçulmanos), que demanda, no mínimo, um estatuto especial dentro do República Islâmica do Paquistão e, no máximo, um território nacional autónomo. O sentimento generalizado da população face ao estado central foi resumido nas palavras de um dos líderes históricos do movimento, Nawab Akbar Bugti Khan: 'I have been a Baloch for several centuries. I have been a Muslim for 1,400 years. I have been a Pakistani for just over fifty.'
Na verdade, os Baluches nunca quiseram fazer parte do Paquistão. Assim, desde a criação do estado paquistanês, os Baluches organizaram já cinco rebeliões armadas contra este: 1948 (logo a seguir à fundação do Paquistão); 1958-59; 1963-69; 1973-77; 2004-até hoje. Existem diversos factores que alimentam o nacionalismo Baluch: a homogeneidade linguística, o sistema tribal elaborado, a extrema pobreza da população mesmo em comparação com o resto do Paquistão (por exemplo, apenas 20% da população tem acesso a água potável contra 86% a nível nacional) e, curiosamente, uma enorme riqueza em minérios. Especialistas acreditam que no Balochistão se situam as maiores reservas mundiais de cobre (matéria-prima para maquinaria militar) e o estado é também rico em gás natural e ouro.
Hoje, porém, a disputa adquire novos contornos de acrescida importância para a política externa dos EUA naquela que é uma das regiões mais explosivas do mundo. Em primeiro lugar, o Baluchistão fica a meio caminho entre o coração do Paquistão; o problemático sul do Afeganistão; e o este do Irão. Instabilidade dentro do Balochistão significa também instabilidade em qualquer um destes países, o que em alguns casos pode até ser bem-vindo (Irão), mas noutros (Paquistão e Afeganistão) é absolutamente indesejável. A rebelião Baloches tem tentáculos em todos estes países, e ontem mesmo, foram executados no Irão 12 membros de um suposto grupo terrorista Baloche. Em segundo lugar, é exactamente na província do Baluchistão que se situa hoje a maior população de refugiados do mundo, Afegãos, na sua maioria Pashtuns. Esta situação tem vindo a contribuir não só para a deterioração dos problemas sociais e económicos da província, mas também para gerar um conflito de natureza étnica entre Baluches e Pashtuns - inquietante, no contexto fragmentado do Paquistão. Por fim, existe também o projecto de 2 biliões de dólares financiados por capital chinês no porto de Gwadar, estrategicamente situado no mar Arábico, que envolve também a construção de uma auto-estrada até o hub comercial do Paquistao, Karachi. Para além de ser foco de instabilidade entre a população Baloche (que vê a sua riqueza escoada para as províncias mais ricas do Paquistão, o Sindh e o Punjab), o projecto demonstra que os Chineses têm interesses no Baluchistão.
Não, o problema do Baluchistão ainda não embateu na face dos EUA, mas tudo se encaminha para que um dia o faça.
* O problema Baluchistão é tao remoto que foi impossível descobrir a forma correcta do nome da província em português. Em inglês, é Baluchistan. Em português, deveria ser Baluquistao. Todavia, os únicos hits que tive quando fiz uma procura no google.pt foi com o nome Baluchistao, portanto decidi usar essa terminologia. Caso conhecam a forma correcta de escrever este nome nao deixem de a partilhar. Obrigado!
(Ilan Halimi assassinado no dia 13 de Fevereiro de 2006. AFP)
(Os caminhos misteriosos da opinião pública... Cartoon de John Doyle)
No ensejo de mediar a contenda, às 18h28, joaorapace chega a duas conclusões fundamentais: o Público não pesquisou bem a notícia e nenhum dos outros comentadores conhece o tema com a seriedade que merece. Decide então, no formato condensado de um comentário, dissertar sobre as falácias do artigo, as origens étnicas do anti-semitismo, o anti-semitismo de Hitler, os motivos do crime, o conflicto israelo-árabe, a identidade judaica contemporânea e ainda lhe resto espaço para fazer uma acusação aos restantes leitores:
“Este artigo tem erros. Youssouf Fofana será árabe ou berber logo se é no primeiro caso não podemos estar a falar de antisemitismo porque também os árabes são descendentes de Sem tal como os judeus. Se é no segundo caso os berberes apesar de não serem ascendentes de Sem nos tempos pré islâmicos foram convertidos ao judaísmo e depois mais tarde converteram-se ao islão. Logo também não podemos falar de antisemitismo. Antisemitismo foi o que fez Hitler e os alemães que não sao povos semitas e aniquilaram como selvagens 6 milhões de inocentes. Quanto à questão palestiniana esta também é complexa e de difícil resolução. A Onu atirou o problema de cá para lá, lavando as mãos. O motivo de Youssouf era dinheiro 450 mil euros tem sentido porque mais uma vez a ideia é quase sempre a mesma, motivos monetários e não razões de crianças palestinianas que eu também lamento, claro. O pessoal que aqui escreve é que leva isto não sei para onde, conjecturando, afirmando quando as razões são tão óbvias. Quanto ao resto parece-me que os judeus ainda hoje são sinónimo de diferentes, quando a única diferença é o facto de serem uma minoria religiosa em relação a outras. Este pessoal inventa...”
Pouco depois a Maria de Berlim, acusa o Público de ser pró-Israel, uma ideia tão absurda que era capaz de fazer o Ariel Sharon levantar-se da sua coma:
“O publico é um jornal pro-israel, ou pelo menos o seu director é-o de uma maneira quase doentia (lembro-me bem do tipo de artigos de opinião que escreveu durante a guerra do Libano de 2006 e dos titulos tendenciosos escolhidos para as noticias).”
Ás 18h45, o adr de Amesterdão conclui que os judeus ainda não foram suficientemente condenados e que é preciso abrir os olhos ao pessoal:
“esta malta que esta no estrangeiro falam duma maneira que me da a ideia que nào sabem ainda onde estào.os maiores piratas sào os judeus.ja disse isso varias vezes esperiênçia propria. ......querem tudo so para eles.o hitler sabia o que eles era ou não fosse ele meio judeu imaginem se fosse judeu a 100%.abram os olhos.80%da população mundial esta a ser explorada por judeus.abram os olhos.e a maioria dos imigrantes que falam mal de portugal e dizem que em frança é que e'bom ou alemanha ou holanda ou belgica ou noutro lado qualquer essas pessoas são autenticos escravos.viva portugal.quanto a noticià sem comentarios.viva portugal.subscrevo-me adr.”
Por fim, um leitor identificando-se como o Tono da Merdaleja (pensa-se que terá escolhido este nome de livre e espontânea vontade..) coloca-se do lado do bom-gosto e compara o Público ao jornal da TVI– ninguém lhe terá dito que no resto da Europa o caso tem sido amplamente discutido nos meios de comunicação:
“Fica um bocadinho mal ao Publico escrever uma noticia destas... É que notoriamente so aparece aqui porque o assassiado era judeu. Se nao o fosse ja nao seria noticia. Estas tendências semitas é que poderão criar o anti-semitismo. Para mais quem escreve a noticia não consegue disfarçar a sua "tendencia". Nao consegue nem sequer ser minimamente profissional e escrever uma noticia de opinião neutra. Fez questão de mostrar a sua posição. Mais uma Manuela Moura Guedes... Ja disse e repito. Nao tarda muito e este jornal está pior que o 24horas.”
Quer dizer, fosse isto há um século atrás e estes mesmos comentadores reprovariam a decisão do Público de publicar o caso de Dreyfus (um oficial do exército francês, de origem judia, acusado e injustamente condenado por crime de traição). Também a França se sentia ameaçada e também o anti-semitismo existira antes. Porém, o desagrado que o caso gerou não foi suficiente para travar um dos capítulos mais crúeis da história da Humanidade. Segundo a opinião destes senhores, observariamos impassíveis os sinais do tempo. Acima de tudo, são hipócritas que não têm qualquer tipo de vergonha em exibir imparcialidade quando exigem isso do próprio jornal de onde recebem informação. Enfim…depois de ler estes e outros comentários fica-se com uma imagem muito triste de Portugal.
FINAL
A demissão de Sarah Palin como Governadora do Alaska apanhou todos de surpresa. Da mesma forma que irrompeu na cena política americana em Setembro do ano passado, a 'hockey mum' parece agora convencida a correr a cortina e abandonar o palco. No comunicado da demissão, Palin, no seu melhor estilo, falou sobre tudo, desde do baseball aos desafios energéticos do século XXI, excepto sobre os motivos concretos que a levaram a tomar a decisão. Porém, nas entrelinhas do discurso poderia entender-se que a Governadora desejava responsabilizar os meios de comunicação pela decisão.
De qualquer forma, ninguém acredita que a pressão dos media fosse suficiente para derrubar Palin. Assim, poucos minutos após a revelação da decisão, a comunidade online estava povoada por rumores sobre os possíveis motivos da retirada inesperado de Palin. O mais quente era que Palin teria se demitido para preparar a candidatura presidencial pelo Partido Republicano em 2012. No entanto, vários comentadores políticos lembraram que a demissão de Palin poderia ser mais prejudicial do que benéfica para as suas aspirações presidenciais, uma vez que poderia servir de fundamento a críticas de oportunismo e incoerência. Outro rumor na Internet é que Sarah Palin recebeu uma ‘proposta que não poderia recusar’ da Fox News para apresentar um programa: alguns comentadores disseram que, depois da campanha presidencial de 2008, o Alasca tinha-se tornado demasiado pequeno para Palin, que agora pretendia começar uma carreira à escala nacional. Para a antiga Miss, um programa de televisão poderia ser também um excelente ponto de partida para uma posição política de destaque. Por fim, foi também mencionado que Palin abandonou o cargo para travar as novas investigações sobre o caso ‘Troppergate’ em que Palin e o seu marido eram ambos acusados de abuso de poder por forçarem a demissão do ex-marido da irmã da Governadora. Numa altura em que os seus ratings de popularidade atingiam os níveis mais baixos, Palin poderá ter tomado a opção política de estancar a corrente negativa neste ponto e iniciar uma nova fase.
Seja qual for o motivo, podemos ter a certeza que (infelizmente, a meu ver) esta não será esta a última vez que ouviremos o nome de Sarah Palin.
A publicacao destes resultados já nao é nova. Desta feita, é o site BBC News que aplaude os resultados positicos da política anti-drogas comecada durante o governo de António Guterres. O jornalista é Mark Easton.
(Michael Jackson visto pelo artista norte-americano Jeff Koons. Uma retrospectiva do artista será inaugurada amanha na Serpentine Gallery em Londres)Video muito interessante do New York Times sobre as possíveis semelhancas entre as manifestacoes actuais e o movimento que levou à revolucao de 1979.

A braços com uma das piores crises económicas mundiais, e as primeiras demonstrações de insatisfação popular, Vladimir Putin não está para brincadeiras. Esta semana, o Primeiro-Ministro Russo foi até à cidade industrial de Pikalevo, onde forçou o oligarca Oleg Deripaska a reiniciar a produção na fábrica. Aqui fica um curioso relato dos eventos desse dia.