A Gaivota Farragulha
domingo, fevereiro 28, 2010
Dia 4 - Uma casinha em Batroun
sexta-feira, fevereiro 26, 2010
Dia 3 - Byblos
quinta-feira, fevereiro 25, 2010
Dia 2 - Rumo a Sul
Seguimos para sul na auto-estrada que acompanha a orla marítima. Na berma da estrada, cartazes do Hezbollah rivalizam com anúncios de grandes empreendimentos turísticos. A estrada é surpreendentemente boa, o que tende a aliciar a velocidades pouco indicadas para o estilo imprevisível de condução libanesa.
Continuamos para sul em direccao a cidade portuaria de Tir na mesma estrada, atraves de plantacoes de bananeiras., que mais tarde, descobririamos camuflaram militantes do Hezbollah durante a ultima guerra com Israel (segundo o Deen, os militantes escondiam-se entre as palmeiras para lancar misseis contra Israel e aqueciam-nas para nao serem detectados pelos radares de calor dos avioes israelitas). A medida que avancamos para Sul, a evidencia de dois conflictos torna-se cada vez mais clara: os Palestinianos Sunnis dentro dos campos e os Libaneses Shiitas fora deles. Os posters de Hassan Nasrallah (lider do Hezbollah) e de outros lideres Shiitas como o ja falecido Ayatollah Khomeyni, sucedem-se, assim como os postos de controlo militares e os tanques da UNIFIL (Forca Interina das Nacoes no Libano), da qual integra um contigente portugues.
Tir, no entanto, revela-se uma pituresca, pequena cidade de pescadores. Somos os unicos no restaurante Le Petit Phoenician (a estrela da restauracao local), debrucado sobre o pequeno porto de pedra amarela, e o dono, um tipico habitante das margens do mediterraneo, serve-nos um manjar de saladas, humous e dourada. Deleitando da beleza e tranquilidade em nosso redor, o cliche e enfim inevitavel: a guerra nao assenta bem a este idilico local.
terça-feira, fevereiro 23, 2010
Dia 1 - Beirute
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Uma viagem ao umbigo do mundo
sábado, fevereiro 20, 2010
O assassínio do líder militar do Hamas
terça-feira, fevereiro 09, 2010
A vitória do hutspa
quarta-feira, janeiro 27, 2010
O futuro da Al-Qaeda - parte II
quinta-feira, janeiro 21, 2010
A vitória da carrinha pick-up
sábado, janeiro 16, 2010
O futuro da Al-Qaeda - parte I
terça-feira, janeiro 12, 2010
Sem inspiração
quarta-feira, janeiro 06, 2010
A Contra-Revolução Americana
Ataque cibernauta ao blog
terça-feira, dezembro 29, 2009
A palavra portuguesa do ano
Navegando por este oceano de informação ‘prêt-à-manger’, o observador comum sente-se sempre cativado em excesso por uma ou outra categorização. No meu caso, é a eleição da palavra do ano*. O raciocínio é a improbabilidade de existir uma palavra para cada ano: primeiro, porque as palavras não aparecem do nada e, na maior parte dos casos, as palavras eleitas para cada ano já existiam nos anos precedentes; segundo, porque as palavras têm diferentes sentidos para indivíduos heterogéneos, sendo que não existe uma única palavra que abranja o mesmo significado para todos nós num determinado momento, mesmo que no espaço limitado de um ano; terceiro e derradeiro, porque existem demasiados acontecimentos e circunstâncias num ano para se compactar tudo numa só palavra. Mas já que estamos no reino da patetice, julgo-me sensato em aderir à melhor e mais desavergonhada parvoíce de entre todas as listas de ano novo: a lista da palavra do ano.
Tanto quanto sei, a moda ainda não pegou em Portugal, país que ainda não se conseguiu olvidar por completo dos chavões da saudade, do fado, futebol e Fátima. Por isso, decidi escolher e anunciar em primeira mão aos meus leitores a palavra portuguesa do ano. Ao contrário das suas congéneres estrangeiras, a palavra portuguesa do ano tem pouco de progresso; pelo contrário, a palavra portuguesa do ano de 2009 assemelha-se mais a um regresso às origens. Não é uma palavra nova, nem sequer poderá ser conotada com um fenómeno inovador; a palavra portuguesa do ano pertence ao nosso léxico desde que dois portugueses se tornaram vizinhos e começaram a intrometer-se na vida um do outro. Meus amigos e minhas amigas, tenho a infelicidade de vos anunciar que a palavra portuguesa do ano de 2009 é escutas. No plural.
O tema vinha de trás. Há dois anos andava tudo alarmado com a suspeita do Procurador-Geral da República de que o seu telefone estaria sob escuta. Este ano, porém, a problemática sobre as eventuais escutas a dignitários de cargos públicos e privados alcançou novas proporções. Em 2009 ficamos a saber que não só o Presidente da República suspeita que o Primeiro-Ministro o esteja a espiar, como as conversas do Primeiro-Ministro com o Vice-Presidente do maior banco privado português andaram a correr escritórios da PJ e do Ministério Público. Em 2009, tivemos duas eleições centrais para o curso do país que foram saqueadas pelo tema das escutas, cujo saldo final ainda iremos descobrir em 2010. Ficamos também a conhecer que existem em Portugal vários organismos que, à revelia da lei, escutam conversas e que o material para tal fim se compra facilmente na internet, ou então a espiões israelitas, americanos e russos que continuam a passear na linha de Cascais como no tempo da Segunda Guerra Mundial.
Porém, pior do que as próprias escutas, é o clima que elas instauram no país: em 2009, regressamos ao Portugal das suspeitas, das paranóias e das perseguições. Um Portugal em que ninguém está a salvo de ser espiado, onde os indivíduos suspeitam um dos outros, onde os políticos disparam em praça pública aquilo que podia ser negociado em privado. De certa forma, parece que em 2009 se voltaram a despertar os mais tristes instintos na sociedade portuguesa do bufo, do delator e do perseguido. E as escutas, assim como os políticos e jornalistas que contribuíram para que elas dominassem a actualidade nacional, merecem ser responsabilizados por isso. Em última análise, ‘escutas’ é a palavra certa para descrever um ano mau para Portugal. Mais do que a economia, é o próprio tecido social que agora se deteriora. Esperemos que em 2010 haja uma palavra mais positiva para eleger aqui.
Um bom ano novo a todos!
* Este ano a palavra do ano na língua inglesa eleita pela editora de dicionários Merriam-Webster é 'unfriend': no sentido de desfazer-se de amigos no Facebook. Com o Nobel de Obama, a reforma do serviço de Saúde norte-americano, a morte do Rei da Pop, eleições por toda a parte, o fracasso das negociações do novo acordo para o clima, o recomeço da Guerra em Af-Pak, quem se lembraria das vicissitudes da amizade virtual? Ninguém, é aí que está a graça.
quarta-feira, dezembro 16, 2009
O abismo iemenita
sexta-feira, dezembro 04, 2009
O dia em que Bush convenceu Blair
Curiosamente, ao mesmo tempo que se inicia este julgamento decorre no Reino Unido um inquérito histórico que tem sido, em larga medida, ignorado pelos medias – o inquérito oficial sobre a Guerra no Iraque (‘Iraq War Inquiry’). Este sim, o julgamento da década. Embora não o primeiro do género no Reino Unido, este inquérito irá investigar e revelar, pela primeira vez, o conteúdo de documentos classificados e interrogará também figuras capitais do Governo Britânico na caminhada para a Guerra do Iraque, entre as quais estarão Tony Blair e Gordon Brown (que serão chamados a depor no próximo ano).
Na semana passada, o painel de investigadores interrogou Sir Christopher Meyer, embaixador britânico em Washington D.C. entre 1997 e 2003 (DC Confidential, livro de memórias publicado em 2005). Entre as várias revelações apresentadas sobre as relações transatlânticas no ante- e pós-invasão, Meyer confessou a sua suspeição pessoal de que a decisão de Blair foi tomada após uma reunião a dois com Bush no rancho de Crawford, no Texas, em Abril de 2002. Segundo o ex-embaixador, até então, Blair teria preferido avançar para a guerra com aval das Nações Unidas. No entanto, alguns dias depois do encontro, Blair assumiu publicamente, pela primeira vez, a hipótese de ‘regime change’ no Iraque. O que terá dito Bush a Blair para o convencer?
Tal a obliquidade das informações que dispomos sobre a Guerra do Iraque apenas me recorda o caso do assassínio de Anna Politkovskaya: sabemos a hora exacta do crime, vimos o assassino a chegar e a abandonar o local crime, mas desconhecemos como decorreu ao certo o crime. Porém, neste caso, o ‘missing link’ seguirá provavelmente os dois protagonistas para debaixo de terra.
Caso estejam interessados em saber mais sobre este inquérito, poderão encontrar um Q&A no site da BBC News. E também aqui um reportagem em vídeo.
quarta-feira, dezembro 02, 2009
Uma festa cigana
(Pelos menos, escolheram azul para a Torre de Belém. AFP)Quer dizer, festejou-se no dia em que se assinou o papel e volta-se a festejar no dia em que o tratado entrou em vigor. Por este andar, pode ser que se proclame feriado no dia em que o Tratado de Lisboa for revogado. O que vale é que das gentes que importam, categoria que não inclui os VIPs porque esses acudiram em massa, estavam apenas três Primeiros-Ministros (o nosso, o da Espanha e o da Suécia – note-se que a presença deste último se deve ao facto de o seu país deter a Presidência da UE), um Presidente da República (o nosso) e três figuras de destaque da hierarquia da UE (o nosso, o Belga e o Polaco). Qualquer dia, passo a eleger políticos na medida dos que vão a estes Eventos e dos que têm assuntos mais prementes para resolver…tipo Governar um país!
terça-feira, novembro 24, 2009
Brasil descola na cena diplomática
(Dois presidentes, uma bomba nuclear: a próxima novela brasileira? El País)O discutível Presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, começou ontem um périplo pela América Latina com paragens óbvias na Venezuela e na Bolívia e menos óbvias no Brasil. Antes de chegar, a presença do carrasco da paz mundial no país do samba já havia gerado consternação, dentro e fora de fronteiras. Sob o cabeçalho 'Vergonha de ser brasileiro’, Sérgio Malbergier, editor da secção Dinheiro da Folha de São Paulo e membro da numerosa comunidade judaica brasileira, escreveu: "O presidente brasileiro, genuinamente humanista, parece ter sido enrolado pelo terceiro-mundismo que domina os seus antecessores e o Itamaraty." Por sua vez, o Representante Democrata Eliot l. Engel comentou ao The New York Times que "esta visita é um erro enorme, um terrível erro. (...) Ele (Ahmadinejad) é ilegítimo perante o seu próprio povo, e agora o Brasil irá dar-lhe o ar de legitimidade numa altura em que mundo está à tentar evitar que obtenha armas nucleares. Não me faz sentido nenhum e, francamente, prejudica a imagem do Brasil." Na ocasião propriamente dita, o Presidente Lula defendeu o direito do Irão ao enriquecimento de urânio para ‘fins pacíficos’ e o Presidente Ahmadinejad expressou o desejo de ver o Brasil envolvido no processo de paz no Médio Oriente.
À primeira vista, a reunião parece fruto de um encontro simétrico de interesses. Lula dá legitimidade ao regime de Terão e Ahmadinejad “abençoa” a entrada do Brasil no pequeno palco das grandes decisões mundiais (aliás, o Presidente Iraniano apoiou também a inclusão do Brasil como permanente do Conselho de Segurança da ONU). Porém, nem tudo o que parece é; e no Médio Oriente, parecer é frequentemente mais relevante do que ser. Pois, parece que na fotografia está Ahmadinejad e Lula, mas, na verdade, está lá Ahmadinejad e Barack Obama. Perdoem-me o cepticismo, mas não creio que Lula da Silva, a quem Obama chamou ‘my favourite guy’, tomasse a iniciativa de receber o Presidente Iraniano sem aval de Washington. Por outro lado, Lula apresenta aos dois lados a oportunidade de prosseguir as negociações sem danificar a sua imagem interna: Barack Obama não necessita de ceder perante os caprichos de Ahmadinejad; e este mantém a linha dura diante ao Ocidente. Finalmente, Lula recebe o bónus de afirmar o Brasil no plano diplomático internacional sob um alto custo e maior risco. O custo é adquirir magnetismo às críticas. O risco é poder cair dentro do caldeirão do Médio Oriente. Mas o esforço e a coragem são sempre meritórios. Na minha plebeia opinião.
sexta-feira, novembro 20, 2009
Addio, Adieu, Auf Wiedersehen, Goodbye
(Os noivos no dia do casamento. AP)Deve ser da neblina que paira sobre Bruxelas. Obstrui a reflexão, confunde as ideias e retorce a realidade. Esta é a explicação mais plausível que encontro para o auto-flagelismo recente da União Europeia. Como exclamava esta manhã o antigo Primeiro-Ministro francês, Michel Rocard: “A Europa política está morta; com efeito, ela já sofreu cinco assassínios, todos eles mortais.” O resto da imprensa europeia está de acordo:
terça-feira, novembro 17, 2009
Sarah Palin Soma e Segue
(A capa da Newsweek desta semana. Huffington Post)"The choice of photo for the cover of this week's Newsweek is unfortunate. When it comes to Sarah Palin, this "news" magazine has relished focusing on the irrelevant rather than the relevant. The Runner's World magazine one-page profile for which this photo was taken was all about health and fitness - a subject to which I am devoted and which is critically important to this nation. The out-of-context Newsweek approach is sexist and oh-so-expected by now. If anyone can learn anything from it: it shows why you shouldn't judge a book by its cover, gender, or color of skin. The media will do anything to draw attention - even if out of context."









